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Gênero e educação: projeto realiza oficinas, seminários e curso em articulação com temáticas étnico-raciais

Apesar da maior escolaridade e melhor desempenho das mulheres na educação brasileira nas últimas décadas, uma série de problemas relacionados às temáticas de gênero ainda se estabelecem como barreiras para o enfrentamento de desigualdades, discriminações e violências de gênero presentes no cotidiano e para o acesso das mulheres e homens a outros direitos humanos. (Veja no quadro abaixo alguns destes desafios).

Para contribuir com o fortalecimento da agenda da igualdade de gênero nas políticas educacionais, em articulação com as questões de renda, raça/etnia e diversidade sexual, o projeto “Gênero e educação: fortalecendo uma agenda para as políticas educacionais” irá oferecer um curso, seminários e oficinas a partir deste segundo semestre de 2014.

Coordenado pela Ação Educativa e financiado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) da Presidência da República, o projeto será realizado em parceria com a organização Ecos – Comunicação e Sexualidade, o Geledés – Instituto da Mulher Negra e o Comitê Latino-americano e do Caribe pelos Direitos da Mulher (Cladem). “É um avanço a SPM passar a ter um olhar específico para a área da educação, desde a educação infantil até o ensino superior. E nós não podemos abrir mão de trabalhar com a questão da diversidade sexual que já está posta e que, queira ou não, está presente na escola”, ressalta a socióloga e integrante da Ecos, Sylvia Cavasin.

Voltado para representantes de organizações e movimentos da sociedade civil, instituições acadêmicas e de pesquisa, gestores públicos, profissionais de educação, educadores populares e comunicadores, as ações da iniciativa devem acontecer em 18 meses e abranger atividades de pesquisa, articulação e formação, comunicação e incidência.

“Um dos grandes desafios para se trabalhar questões de gênero na educação hoje se refere à formação inicial dos professores. Existe uma demanda muito grande por estes temas no ensino, mas os docentes muitas vezes não são preparados ou estes temas acabam sendo abordados de maneira não científica em aulas de religião, por exemplo”, constata Sylvia, destacando que o projeto contribui com a articulação entre diferentes organizações e com a continuidade de pesquisas, formações e incidência política para estes temas não sofram retrocessos diante da pressão de grupos conservadores.

Ao abordar as questões de gênero nas políticas educacionais em articulação com as questões de renda, raça/etnia e diversidade sexual, o projeto pretende, segundo a coordenadora de educação do Geledés, Suelaine Carneiro, avançar no diagnóstico de experiências que já estejam sendo realizadas e na análise das lacunas existentes.

“O projeto vai permitir um outro patamar para as discussões de gênero a partir de sua complexidade quanto à identidade sexual, racial e como a escola aborda estes temas em seus livros didáticos e planejamento político pedagógico, por exemplo”, afirma Suelaine.

Quanto ao recorte racial, a coordenadora defende que é uma maneira de contemplar e assumir não só a existência de diferenças entre as mulheres, mas também de desigualdades entre grupos de raças e classes distintas: “Uma das maiores ambições deste projeto é contribuir com uma proposta de educação que garanta as mesmas possibilidades para todas as mulheres. Atualmente, as escolhas dependem de suas condições raciais, sociais e de pertencimento sexual”.

Leia também informações sobre o Informe Brasil – Gênero e Educação

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