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Dia 30: greve geral. Dia 30: África Mãe do Leão. Qual a contradição de um evento cultural frente a uma manifestação política?

Confira manifesto do Coletivo Sexta Sonora que realiza suas atividades no Espaço Cultural Periferia no Centro da Ação Educativa

No atual contexto brasileiro, já são três milhões, beirando cada vez mais o aumento do volume de uma massa jovem e infantil inserida precocemente no mundo do trabalho. Esses jovens tem seu acesso à educação, à infância, ao lazer, negados por representantes omissos do Estado Nacional que tentam com todas as artimanhas, vender o que é do brasileiro e se possível, vender os brasileiros para grandes empresas, e outros, para o mercado de almas.

Tudo o que poderia tornar o jovem um sujeito de direito consciente, um sujeito crítico, atento à suas próprias escolhas vem sendo sucateado, quiçá então, imaginar que o jovem possa ter acesso à cultura – o fundamento do humano; e ainda existem economistas e intelectuais que endossam o discurso da reforma da previdência e da universalização em âmbito nacional da terceirização do trabalho, mas, poucos dizem sobre como o Brasil, mais uma vez, vem adotando princípios do escravismo nas relações de trabalho.

Crianças e jovens, que já são trabalhadores, sofrendo uma exploração econômica que extrapola a legalidade, agora, estão sujeito a sofrerem no presente os idealismos de um futuro neoliberal – arquitetado por políticos que vestem a camisa do capitalismo em expansão – que não foi pensado para a juventude periférica, negra e com pouco acesso econômico. A possibilidade de ascensão educacional e econômica, nesse interim, para o jovem periférico, se manifesta não se manifestando. O progresso pensado pelo Estado para a população é um progresso destes sujeitos e dos participantes estrangeiros num conluio que tem como objetivo somente lucrar em cima do extermínio programado da massa negra do Brasil, da massa campesina do Brasil; e agora, mais do que nunca, da massa jovem.

O Brasil enfrentou uma república opressiva, uma ditadura da carnificina e agora estamos prestes a participar, como indivíduos e sujeitos vivos, do sucateamento extremo da vida periférica, da dissolução dos direitos legais aos que já possuem seus direitos negados.

Os arquitetos da flexibilização do trabalho, os apologistas das soluções oferecidas pelo banco mundial à educação Brasileira, os engenheiros econômicos que reverberam com fortes palavras contra a Ex-presidente Dilma, que a reforma de previdência é de total importância, estão em um jogo dentro da geopolítica internacional que pouco se refere à sua população com preocupação, mas sim como produto a ser investido pelas nações já no topo da crista do processo econômico. Estes Senhores dominantes dos meios, querem dominar não só a massa trabalhadora, querem dominar o próprio trabalho; além de dominarem nossos recursos naturais e poluírem os poucos que restam de nosso bioma original.

Em debate, em enfrentamento, em discurso, em resistência, em superação, o jovem ativista carrega em si mesmo as possibilidades e visões possíveis de luta. A práxis do jovem periférico ativista é desconfiada, sabem bem como e onde se posicionar e por quem se posicionar. O olhar de desconfio do jovem evidencia o reconhecimento de estarem se adentrando num jogo perverso com os Senhores do Estado que nunca prestaram formação ou informação alguma.

E este é o momento, diversos segmentos da população brasileira parte agora para a luta, para o embate frente às medidas antissociais do Estado, na manifestação, nos atos e nas intervenções culturais… Somos poucos perante a luta com os quase-deuses da política.

Enquanto houver injustiça, haverá luta, e se essa luta deve ocorrer pelo viés da cultura, que seja e assim será. Não é de hoje que olhar crítico e cultura andam de mãos dadas contra um Estado que nega os direitos básicos do cidadão. Não é também a primeira devolutiva que a cultura entrega ao Estado.

E é este lugar que procuramos estar, e hoje temos como local de apoio a Ação Educativa – Centro Cultural Periferia no Centro.

Dia 30: greve geral. Dia 30: África Mãe do Leão. Qual a contradição de um evento cultural frente a uma manifestação política?

Não, não vemos como contradição, pois a luta também é pelo fim da exclusão do negro da história ativa, da mulher da história ativa e de todos os periféricos que irão sofrer com as reverberações de todas essas investidas contra o povo.

As grandes resistências políticas em São Paulo, no Rio, na Bahia, em todo o Brasil, vieram vinculadas a artistas e a cultura como um todo, portanto, imaginamos que contraditório seria cancelar o evento – que tem como objetivo reunir ativistas e curiosos já marginalizados e oriundos da resistência cultural lá das fronteiras das cidades, que irão comparecer ao bairro nobre da Vila Buarque para apreciar uma música, uma conversa, uma cidade inteira.

Coletivo Sexta Sonora

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