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Nota de pesar pelo falecimento do professor Celso de Rui Beisiegel

Neste sábado (25/11), faleceu, em São Paulo, o professor e sócio fundador da Ação Educativa Celso de Rui Beisiegel. Beisiegel foi pró-reitor entre os anos de 1990 e 1993. No período de 1988 a 1990, foi diretor da Faculdade de Educação da USP, onde também exerceu os cargos de vice-diretor e chefe do Departamento de Filosofia da Educação e Ciências da Educação. Também atuou na Secretaria Estadual de Educação e no Ministério da Educação.

Formado em Ciências Sociais e com mestrado e doutorado na área de Sociologia, Beisiegel dedicou suas pesquisas aos temas da educação popular, política educacional, sociologia da educação e educação de jovens e adultos.  Em 2009, em homenagem ao professor, a Editora da USP (Edusp) lançou o livro Celso de Rui Beisiegel: Professor, Administrador e Pesquisadorde autoria da professora da Faculdade de Educação da USP Gilda Naécia Maciel de Barros.

Amigos e colegas enaltecem a trajetória de Beisiegel:

Sergio Haddad, sócio-fundador da Ação Educativa:

O Professor Celso Beisiegel foi um dos primeiros entusiastas e apoiadores da ideia de fundar Ação Educativa. Conhecido pela equipe de educação do CEDI – Centro Ecumênico de Documentação e Informação, que veio posteriormente fundar a Ação Educativa em 1994, Celso tornou-se sócio fundador e conselheiro nos trabalhos de educação de adultos e educação popular. Foi ele quem aproximou o Professor Paulo Freire, de quem era amigo e estudioso da sua obra, para conhecer e assessorar o nosso trabalho no campo de alfabetização de adultos com comunidades de seringueiros e ribeirinhos na Amazônia. Sócio assíduo nas atividades da Ação Educativa nos seus primeiros anos de existência, intelectual refinado, pesquisador reconhecido no campo da sociologia da educação, pessoa de fácil trato pela forma gentil de relacionamento, Celso fará falta entre a comunidade de educadores/as, pesquisadores/as e amigos/as em geral, e da nossa instituição em particular.

Prof. Romualdo Portela de Oliveira, da Feusp:

Ainda consternado pelo falecimento do Prof. Celso de Rui Beisiegel, deixo aqui uma mensagem de carinho à Sylvia e suas filhas. Fui aluno do prof. Celso em 1983, quando entrei no mestrado. Desde então nos tornamos amigos, alimentado pelo gosto comum de jogar xadrez e pelas longas conversas sobre educação. Orientando de Florestan Fernandes, trouxe para a FEUSP a melhor tradição dos estudos sociológicos da educação. Suas obras são referências fundamentais para discutir-se a expansão dos sistemas de ensino no Brasil, a educação de jovens e adultos e a obra de Paulo Freire. Na educação, Celso foi o pesquisador que mais influenciou meu trabalho e isso o reconheço em vários dos meus escritos, particularmente no capítulo que escrevi para o livro em sua homenagem organizado por Gilda Maciel de Barros. Tive o privilégio de assistir às aulas de seu concurso para professor Titular na FEUSP, onde sintetizou de maneira magistral seu entendimento sobre as lutas populares por educação e, depois, à cerimônia de outorga do título de professor emérito a ele conferido pela FE, por iniciativa de uma de suas alunas, Marília Spósito. Formou uma geração de grandes pesquisadores entre os quais destaco Marília Spósito e Sérgio Haddad. Era uma pessoa extremamente gentil e sempre disposto a auxiliar aos jovens estudantes. Meus alunos obrigatoriamente tinham de fazer sua disciplina. É uma perda irreparável para a educação brasileira. Deixa-nos uma obra que se engrandece com o passar dos anos e que nos permite compreender as sutilezas da análise das políticas educacionais. Perdemos um grande estudioso da educação brasileira.

Profa. Kimi Tomizaki, da Feusp:

O Prof. Celso Rui Beisiegel nos deixou. Não fui sua aluna, mas li seus textos desde a graduação lá na Unesp, no início dos anos 90. Tê-lo na minha banca de concurso na FEUSP foi uma honra e um terror, ao mesmo tempo. Depois de divulgado o resultado, estava ligando pra contar pra família e amigos que eu havia sido indicada quando ele veio pegar seu carro no estacionamento. Me abraçou e eu prometi que faria tudo para honrar a confiança depositada em mim pela banca. Ele disse que tinha certeza que sim. De todas as lembranças de nosso convívio posterior, essa foi a primeira que me veio à mente hoje. Vou continuar tentando, sempre, cumprir minha promessa.

Fonte: Com informações do Jornal da USP e da Faculdade de Educação
Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

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