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Exposição fotográfica Diafragma revela a multiplicidade de olhares de mulheres fotografando mulheres

Oito fotógrafas trabalham no projeto; lançamento será dia 7 de dezembro de 2017

Diafragma
substantivo masculino. Músculo muito largo e pouco espesso que separa o tórax do abdome e cuja contração provoca aumento de volume da caixa torácica, e, por conseguinte, a inspiração.
Fotografia. Abertura de diâmetro regulável colocada na objetiva fotográfica para fazer variar a quantidade de luz que entra no aparelho.

O diafragma, na câmera fotográfica, é o dispositivo que permite a entrada de mais ou menos luz, o elemento constituinte da fotografia. Por outro lado, a palavra homônima dá nome ao músculo do corpo humano responsável pela respiração – inspira, expira, importante equilíbrio no funcionamento.

O que mulheres fotógrafas iluminam em suas fotografias? Como utilizam os diafragmas para revelar o que seu olhar enxerga? Por que, ainda, precisam reforçar o marcador de gênero como uma resistência à invisibilidade? A inspiração de ar do diafragma também se torna homônima: capacidade criativa dos artistas, iluminação, ideia repentina, estímulo, nosso centro de concentração.

Entendendo que a diversidade de olhares é condição básica e que não existe uma única visão feminina do mundo, oito mulheres procuraram explorar suas identidades e desejos fotográficos na perspectiva de questionar a universalidade masculina da fotografia e o uníssono imposto muitas vezes aos temas e questões das mulheres na arte.

Este percurso estético compõe a exposição Diafragma: luz, expressão, que será lançada na quinta-feira (07/12), através de imagens e dos múltiplos olhares sobre o tema: mulheres fotografando mulheres, trazendo nessa diversidade a reflexão sobre o que se quer mostrar, para quem se quer mostrar e quais incômodos se busca. Mulheres cuja fotografia enquanto arte e olhar para o mundo está presente no campo pessoal e profissional, utilizando diferentes técnicas e diálogos para compor suas imagens.

Fotógrafas:
Bea Andrade é nascida e criada nas periferias da zona norte de São Paulo. Produtora cultural formada pela R.U.A, tem envolvimento com a fotografia desde a adolescência e se apropria da linguagem enquanto ferramenta de comunicação e luta. Militante no Movimento Negro, Feminista e LGBT, Bea trilha sua caminhada através da fotografia social, voltada para o fortalecimento, visibilidade e resistência negra na história. Atua com a produção e registro de projetos socioculturais pautados no protagonismo das mulheres negras na cidade e, desde o início de 2017, dedica-se em um laboratório colaborativo de desenvolvimento e criação, o colab Mil Grau, através de oficinas de fotografia para mulheres, criado na zona leste, e atualmente, ocupando o Espaço Periferia no Centro, pertencente à Ação Educativa.

Dayane Fernandes é cria da zona sul da cidade de São Paulo, cientista social de formação e antropóloga do compartilhamento de saberes e experiências. Apaixonada por cultura e arte, encontrou na fotografia uma possibilidade de expressão, a linguagem através da qual procura trabalhar suas reflexões e suas dúvidas, as pequenas felicidades e também suas angústias. Por meio do olhar antropológico, tem desenvolvido pesquisas sobre as artes produzidas nas periferias de São Paulo, em especial a produção cultural de mulheres na fotografia e no audiovisual, abordando temas transversais para além da questão de gênero, tais como raça, classe e sexualidade.

Denise Eloy é cearense, jornalista de formação e educadora. Assessora da Ação Educativa e especialista em Educomunicação, atua em organizações da sociedade civil com comunicação e direitos humanos. Encontrou nos espaços formativos com jovens e adultos um espaço fundamental para a atuação política. Guardou todas as câmeras fotográficas de seu pai, bem como suas fotografias antigas. Interessada em fotojornalismo, a fotografia entra no seu universo particular não como profissional, mas como exercício de enxergar e se colocar no mundo.

Gabriela Bigo nasceu na zona norte de São Paulo, mas transita por toda a cidade registrando a cultura da rua, as pessoas e as histórias. A fotografia nasce como suporte para ilustrações e estudos, a partir daí surge o interesse em poesia visual e retratos biográficos e documentação. Formada em Artes Visuais, atua também como grafiteira, arte educadora em diversos projetos de arte e é membro da Ocupa Coletivo.

Janaína Carvalho, vulgo “Mentira”, é paulistana, fotógrafa, grafiteira e artista plástica, bacharel em fotografia pelo Senac SP, formada em 2012. Desenvolve diversos trabalhos autorais, experimentais e comerciais. Curiosa e com vontade de mostrar os detalhes que lhe atravessavam, Jana Mentira recebe a fotografia em sua vida no meio da adolescência, naturalmente, logo como algo que se torna existencial. Adoradora do universo urbano, suas peculiaridades, invisibilidades e distopias. Toma estas características como discurso e objeto de pesquisa no que fez, faz e pretende fazer.

Formada em edição de imagens fotográficas e videotape, Mell Gonçalves atua como fotógrafa há nove anos. Iniciou sua carreira participando de projetos em coletivos culturais da região da Brasilândia e Cachoeirinha na Zona Norte de São Paulo. Atuou por dois anos no Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso como assistente de produção e assumiu em 2017 a produção de eventos do Espaço Cultural Periferia no Centro, da Ação Educativa. Especializada em captação de imagens de shows musicais e espetáculos de artes cênicas, Mell Gonçalves realizou sua primeira exposição individual justamente com esse tema em 2016: “Corpos em Expressão – Arte, Cultura e Afeto” com registros dos espetáculos da Mostra de Artes Cênicas Estéticas das Periferias.

Raquel Luanda é antropóloga, formada pela Universidade Federal de São Paulo, e educadora. Assessora da Ação Educativa, atua com jovens com temas como gênero, raça, juventude e segurança pública, em formações e projetos de incidência política com mulheres negras.  Seu percurso na fotografia começou ainda criança na frente das lentes, seu pai a fotografou durante a infância inteira. A máquina tornou-se, assim, cotidiana. Gosta de fotografar as relações cotidianas. Vê a fotografia como um registro mais bonito das memórias, capaz de lembrar (e recriar) os momentos capturados.

Victória Sales, paulistana, cresceu no interior do estado, apaixonada por fotografia desde a infância quando tinha o tio e a mãe como referências neste assunto. Bibliotecária de formação, também é poeta e arte educadora, tem uma ligação afetiva com a fotografia analógica, que se intensificou ao ganhar a primeira câmera aos 19 anos. Desenvolve experimentações com filmes 35mm p&b, acredita na fotografia como uma das formas para discutir as opressões de gênero, raça e sexualidade, bem como transbordar suas inquietações pessoais.

Curadoria: Bea Andrade, Dayane Fernandes, Denise Eloy, Gabriela Bigo, Janaína Carvalho, Mell Gonçalves, Raquel Luanda e Victória Sales
Produção e organização: Denise Eloy, Juliane Cintra, Mell Gonçalves, Raquel Luanda e Victória Sales

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