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“Butler nos inspira a pensar caminhos importantes de resistência”, afirma a pesquisadora Jaqueline Moraes Teixeira

Palavras, conceitos e teorias também são ferramentas para combater o conservadorismo racista, sexista e opressor. Diante disso, o Centro de Formação: Educação Popular, Cultura e Direitos Humanos inaugura em 2019 as Terças Insurgentes. “Descolonizar o pensamento passa por conhecer, compreender e refletir sobre a contribuição de pensadores e pensadoras que questionam o sistema em suas mais diferentes áreas. Essas teorias nos apresentam mecanismos que fortalecem novas formas de mobilização e luta pela defesa de direitos em nossos territórios”, afirma Ednéia Gonçalves, coordenadora executiva adjunta da Ação Educativa.

A partir de abril, apresentaremos formações focadas em pensadores e pensadoras insurgentes a partir da voz de grandes especialistas. O primeiro curso desse ciclo será sobre Judith Butler, com Jacqueline Moraes Teixeira, doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP), onde também obteve o título de mestre. Atualmente é pesquisadora do NAU (Núcleo de Antropologia Urbana), local em que desenvolve pesquisas sobre religiosidade em contextos urbanos, e do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), realizando pesquisas na área de gênero, sexualidade e religião.

Confira a entrevista com Jaqueline sobre o pensamento de Judith Butler:

1. No que consiste, primordialmente, os principais pontos do pensamento de Judith Butler?

Butler é uma filósofa contemporânea totalmente antenada e comprometida em pensar o mundo e o corpo em que habita. Com uma obra relevante, seus textos, desde a década de oitenta se preocupam em revelar a constituição histórica e política de muitas temáticas que aprendemos desde sempre a naturalizar.

Essa necessidade de pensar a natureza como o efeito de um processo histórico e social permite a Butler desenvolver uma teoria totalmente comprometida em entender as relações contemporâneas de poder e como essas relações constituem pessoas e corpos a partir de políticas que reconhecem alguns sujeitos enquanto faz com que outros permaneçam em situação de abjeção.

Assim, Butler é uma pensadora fundamental para pensar as dimensões contemporâneas das relações de gênero e das sexualidades, ao mesmo tempo que seu pensamento também emerge como imprescindível para se compreender a dinâmica dos conflitos políticos atuais.

2. Por que podemos considerar o pensamento de Butler insurgente?

Porque Butler se propõe a enfrentar os alicerces do que reconhecemos como verdade, na medida em que nos instiga a pensar as relações de poder que nos cercam, bem como, e as maneiras com as quais passamos a exercer poder. Logo, Butler nos inspira a pensar caminhos importantes de resistência.

3. Como o pensamento de Butler pode colaborar para entendermos a atualidade e agirmos sobre ela?

Em primeiro lugar, Butler pensa o corpo como um enunciado, ou seja, o tempo todo falamos de uma posição e sobre uma posição que ocupamos no mundo. Esse princípio se apresenta como fundamental para enfrentarmos uma sociedade que separa, segrega e estabelece políticas desiguais para os corpos.

4. Com que agendas e movimentos sociais o pensamento de Butler dialoga?

No pensamento que tem desenvolvido até o presente momento, Butler faz questão de ressaltar que sua teoria não apenas é fundamental para se pensar formas de engajamento, mas também é uma teoria engajada, o que a permite se conectar como inúmeros movimentos os quais já militou e milita diretamente, tais como a defesa dos direitos civis, sexuais e de gênero, o reconhecimento de pessoas queer, movimentos de moradias e ocupações e movimentos por liberdade e igualdade de direitos na Palestina.

Para se inscrever no curso, acesse: www.centrodeformacao.acaoeducativa.org.br

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