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Ação Educativa participa de debate sobre educação antirracista no Fórum da ONU em Genebra

Projeto SETA promove evento paralelo sobre reparação histórica e cooperação internacional entre países do Sul Global

A participação brasileira no Fórum Permanente da ONU sobre Pessoas Afrodescendentes, em Genebra, acontece em um momento de forte repercussão internacional para a agenda de justiça racial e reparação histórica. Em 25 de março, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, com 123 votos favoráveis — entre eles o do Brasil —, uma resolução que reconhece o tráfico transatlântico de africanos escravizados e a escravização racializada de africanos como o crime mais grave contra a humanidade. A decisão reforça a centralidade do tema da reparação no debate internacional e amplia o peso político das discussões realizadas nesta semana no âmbito do Fórum.

É nesse contexto que o projeto SETA realiza, nesta quinta-feira, 16 de abril, o encontro “Educação Antirracista na Agenda da Reparação: Diálogos Transatlânticos”, como evento paralelo à 5ª sessão do Fórum Permanente da ONU sobre Pessoas Afrodescendentes, realizada de 14 a 17 de abril de 2026 no Palácio das Nações, em Genebra, na Suíça. A atividade acontece na sala XI da sede das Nações Unidas, às 9h no horário local, o que corresponde às 14h no horário de Brasília.

O encontro reúne especialistas do Brasil e da África para discutir o papel estratégico da educação antirracista na agenda internacional de reparação histórica. Participam Maria Corrêa, especialista em articulação do Projeto SETA; Edneia Gonçalves, coordenadora executiva da Ação Educativa; Zama Mthunzi; e Manuela Thamani, fundadora e diretora executiva do Observatório da Branquitude. A mediação será feita por Ana Paula Brandão, gestora do Projeto SETA e diretora programática da ActionAid.

A proposta é fortalecer o diálogo entre países do Sul Global, promovendo a troca de experiências, perspectivas e estratégias diante de desafios estruturais comuns. Ao reunir vozes de diferentes contextos e territórios, a atividade busca contribuir para a construção de caminhos compartilhados de enfrentamento ao racismo e de promoção da justiça racial, conectando a agenda da educação antirracista aos debates internacionais sobre memória, verdade e reparação.

Presente em Genebra, Edneia Gonçalves destaca a importância da participação brasileira neste momento. “Esse é um fórum fundamental porque coloca no centro do debate a ampliação dos direitos humanos da população afrodescendente, especialmente neste contexto em que a ONU reconhece a gravidade histórica da escravização de africanos e reforça a necessidade de enfrentar seus efeitos no presente”, afirma.

Ela também ressalta a relação entre o cenário internacional e os avanços acumulados no Brasil. “Participar deste debate é estratégico para o Brasil, porque muitas das políticas que construímos ao longo das últimas décadas, como as ações afirmativas, dialogam diretamente com compromissos internacionais assumidos nesses espaços. Estar aqui é reafirmar esse percurso e fortalecer uma agenda global de reparação e justiça racial”, completa.

Ao integrar a programação paralela do Fórum, o encontro promovido pelo SETA reafirma a importância da cooperação internacional para o avanço de políticas públicas comprometidas com a equidade racial. Em um cenário marcado pelo reconhecimento formal, pela ONU, da gravidade histórica da escravização de africanos, a presença do Brasil e de iniciativas da sociedade civil brasileira em Genebra reforça a urgência de transformar memória histórica em compromisso político e ação concreta.

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