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Ação Educativa retoma Semana de Formação em Direitos Humanos e Educação Popular após sete anos

Com o tema “Reencontrar utopias, movimentar o presente”, programação acontece de 23 a 26 de setembro e reúne debates sobre socioeducação, participação política, juventudes, educação, raça, gênero e direitos humanos

Dez anos após sua primeira edição e depois de um intervalo de sete anos, a Ação Educativa retoma, entre os dias 23 e 26 de setembro, a Semana de Formação em Direitos Humanos e Educação Popular. Com o tema “Reencontrar utopias, movimentar o presente”, a edição de 2026 propõe quatro dias de formação, troca de experiências e construção coletiva de conhecimentos, reunindo diferentes perspectivas sobre alguns dos principais desafios políticos, sociais e educacionais do país.

Criada em 2016, a Semana chega à quinta edição recuperando a trajetória construída nos encontros anteriores e, ao mesmo tempo, olhando para as questões que atravessam o presente. A proposta parte da compreensão de que as desigualdades não se restringem apenas às condições materiais de vida, mas também atingem a capacidade coletiva de imaginar alternativas e construir outros futuros.

Formação e participação política em um ano de escolhas

Em um ano marcado pelas eleições, a retomada também coloca em debate a participação social e a capacidade de mobilização da sociedade civil. A programação reúne atividades sobre militância nas periferias, juventudes e mundo do trabalho, educação pública, participação política, gênero, raça, territórios, memória, alfabetismo, cultura, socioeducação e educação popular.

“Realizar novamente a Semana justamente em 2026 tem um significado muito importante. Em um ano eleitoral, quando diferentes projetos de sociedade estão em disputa, queremos fortalecer espaços de formação, diálogo e participação que ajudem a compreender o presente, mas também a pensar para além dele. Reencontrar utopias é recuperar nossa capacidade coletiva de imaginar outros futuros e reconhecer que esses futuros começam a ser construídos a partir das escolhas, dos encontros e das mobilizações que fazemos agora”, afirma Magi Freitas, coordenadora executiva colegiada da Ação Educativa.

O conceito desta edição dialoga com as ideias de perversidade, fábula e possibilidade, formuladas por Milton Santos, e também com as contribuições de bell hooks e Paulo Freire para pensar a educação como prática de liberdade, esperança e transformação. A proposta é partir de uma leitura crítica da realidade sem se limitar a ela: experiências de resistência, conhecimentos produzidos nos territórios e processos coletivos de organização também apontam caminhos possíveis.

“Falar em utopia não significa se afastar dos problemas concretos. É justamente o contrário. É olhar criticamente para a realidade, entender o que precisa ser transformado e reconhecer os conhecimentos, as experiências e as formas de organização que já existem nos territórios. A Semana nasce desse movimento entre reflexão e ação, porque imaginar outros futuros também é uma forma de movimentar o presente”, explica Magi.

Debates sobre política, juventudes e futuros atravessam a programação

Ao longo da programação, a Semana amplia o olhar para diferentes questões relacionadas aos direitos humanos e à educação popular. Entre os destaques está “Liberdade como um território: Colonialismo digital e disputa territorial em Milton Santos”, com educadores da Ação Educativa e com a participação de Tarcízio Silva, além do “Educação à venda – Roda de conversa sobre plataformização e o papel do poder legislativo na educação pública”, que busca promover uma conversa plural e aprofundada sobre os desafios da educação pública e as estratégias para enfrentar a privatização e a plataformização.

As juventudes também ocupam lugar central na agenda. Na sexta-feira (25), Vinaum e Chavoso da USP participam da atividade “Conhecimento em Movimento: Juventudes Periféricas, Trabalho e Futuros”, dedicada às perspectivas das juventudes diante das desigualdades e das transformações no mundo do trabalho. A programação contempla ainda discussões sobre ancestralidade, educação quilombola, memória dos territórios, alfabetismo, literatura negra, gênero, raça e presença indígena na formação das periferias paulistanas.

A cultura também atravessa a proposta formativa da Semana. No sábado (26), último dia do encontro, a agenda inclui uma vivência Ballroom com o Hotel 007, além das apresentações de Brisa Flow e Majestade da Casa Babilônia, que encerra a programação. “Queremos que a Semana seja um espaço em que diferentes experiências, saberes e trajetórias possam se encontrar. Quando reunimos educação popular, direitos humanos, cultura, juventudes, participação política e conhecimentos produzidos nos territórios, estamos também reafirmando que existem muitas formas de compreender e transformar a realidade”, conclui Magi Freitas, da Ação Educativa.

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