Realizada durante a Semana de Formação em Direitos Humanos e Educação Popular, atividade promoveu escuta e participação de jovens na construção de propostas para o novo Plano Municipal de Educação de São Paulo
A Ação Educativa realizou, no dia 26 de setembro, a Conferência Livre de Educação: Juventude, gênero e raça no Plano Municipal de Educação de São Paulo. A atividade reuniu jovens de diferentes territórios da cidade para refletir sobre desigualdades educacionais e construir propostas que possam contribuir com a elaboração do novo Plano Municipal de Educação (PME) da capital paulista.
Realizada como parte da programação da Semana de Formação em Direitos Humanos e Educação Popular 2026, a Conferência colocou no centro do debate as experiências, demandas e perspectivas das juventudes, com atenção especial às questões de gênero, raça e sexualidade.
Ao longo do dia, jovens do ensino médio, cursinhos populares, coletivos juvenis, organizações comunitárias e de estudantes participaram de momentos de diálogo, escuta e construção coletiva sobre os desafios presentes nas escolas e nas políticas educacionais.
A proposta foi fortalecer a participação juvenil na definição das prioridades para a educação pública da cidade, considerando que os planos de educação orientam objetivos, metas e estratégias das políticas educacionais para os próximos dez anos.
Juventudes no debate sobre o futuro da educação
Com a aprovação do novo Plano Nacional de Educação, estados e municípios entram em um período importante de elaboração e atualização de seus próprios planos. Esse processo representa uma oportunidade para ampliar a participação social e construir políticas capazes de enfrentar desigualdades que atravessam a educação brasileira.
Nesse contexto, a Conferência Livre buscou contribuir para a construção de um diagnóstico participativo sobre a realidade educacional de São Paulo, articulando dados e indicadores às experiências vividas pelas comunidades escolares.
A participação das juventudes nesse processo é fundamental para que as políticas públicas considerem as diferentes realidades que atravessam estudantes em seus territórios, especialmente diante das desigualdades de gênero, raça, classe e sexualidade presentes no cotidiano educacional.
A atividade também reafirmou a importância da gestão democrática e da participação popular na elaboração dos planos de educação. Mais do que instrumentos técnicos de planejamento, os planos são espaços de disputa sobre quais prioridades devem orientar as políticas educacionais e sobre qual educação a sociedade deseja construir.
Educação popular como caminho de participação
A metodologia da Conferência foi orientada pelos princípios da educação popular feminista e antirracista, valorizando o diálogo, a participação coletiva e o reconhecimento dos diferentes saberes e experiências.
As atividades foram construídas para favorecer a escuta das juventudes e a troca entre participantes, utilizando diferentes linguagens e recursos pedagógicos. Entre os materiais de referência estiveram produções da coleção De Olho nos Planos, voltada à participação social na elaboração e no monitoramento de planos de educação, e da coleção Indicadores da Qualidade na Educação, que propõe processos participativos de avaliação da realidade educacional.
Ao aproximar planejamento educacional das experiências concretas vividas por estudantes, a Conferência também buscou fortalecer a compreensão de que a formulação de políticas públicas deve envolver quem vive diariamente os desafios e as possibilidades da escola.
A Conferência Livre integra a campanha Fique de Olho: Gênero nos Planos Já, realizada pela Ação Educativa por meio do projeto Gênero e Educação e da iniciativa De Olho nos Planos, com apoio do Fundo Malala.
A campanha atua para que a promoção da igualdade de gênero, raça e sexualidade esteja presente nas políticas educacionais, articulada à gestão democrática e à participação popular.
Essas agendas seguem enfrentando processos de desinformação e tentativas de exclusão do debate público. Ao mesmo tempo, são fundamentais para enfrentar desigualdades, prevenir violências contra meninas, mulheres e pessoas LGBTQIA+, combater o racismo e fortalecer relações pautadas pelo respeito aos direitos humanos.