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“A metodologia Nepso propiciou uma troca valiosa de conhecimento, autonomia dos nossos alunos e sobretudo, uma análise crítica da nossa própria atuação docente”, Adriana Cardoso, polo Rio Grande do Sul

Lançamento das publicações Práticas de educadoras” e “Olhar a prática: um exercício de reflexão” reúne autoras de seis polos do programa Nossa Escola Pesquisa Sua Opinião (Nepso) em São Paulo. Iniciativa marca 13 anos da realização do projeto

No início de junho, como parte das comemorações dos 20 anos da Ação Educativa, o programa Nossa Escola Pesquisa Sua Opinião promoveu o debate “Práticas de Educadoras: um exercício de reflexão”. O evento reuniu as 15 autoras das publicações “Práticas de educadoras” e “Olhar a prática: um exercício de reflexão”, experiências que despontaram da sistematização das práticas que as docentes vem realizando em sala de aula com o conteúdo das pesquisas educativas, usando o Nepso como metodologia.

O processo de construção das sistematizações e, consequentemente, das publicações, foi de intenso trabalho, em que a equipe Nepso e as educadoras estiveram em constante diálogo, através de leituras, devolutivas e construção dos textos.

Para a coordenadora geral do Nepso, Marilse Araújo, o principal objetivo das publicações é partilhar a “vida que pulsa nas salas de aula, os seus sentimentos, desejos, desafios e aprendizagens dos principais sujeitos que estão em relação: educadores e educandos”. Assim como, contribuir para valorização do ofício do docente, incorporando o papel de produtor de conhecimento.

“O ofício docente há algum tempo vive uma situação de empobrecimento. Professores e professoras são estimulados, cada vez mais, a serem meros reprodutores de conteúdos escolares, pensados com a função de treinarem as crianças e jovens para que sejam bem sucedidos nas dezenas de avaliações, também inventadas alhures. Isso se expressa claramente nas condições de trabalho as quais esses profissionais estão submetidos. O tempo docente remunerado se restringe a dar aulas. Isso resulta na perda de uma dimensão muito importante desse ofício que é a dimensão intelectual. No entanto, nós da equipe do Nepso, IPM e Ação Educativa sabemos e queremos que todos acreditem que muitas educadoras e educadores realizam experiências muito significativas e maravilhosas em sala de aula. Esse trabalho permanece subterrâneo, se perde no tempo, sem memória”, destaca.

Ao trazer a experiência do seu projeto no Polo Rio Grande do Sul, Adriana Cardoso, que desenvolveu um proposta com o 3º ano do Ensino Médio, cujo tema é “O lugar das tarefas de casa no cotidiano dos alunos, repensando as práticas pedagógicas”, apontou como principal desafio a escrita dos diários no decorrer da pesquisa. “No início tínhamos alguma dificuldade de praticar a escrita livre, no momento em que os processos estão ocorrendo. Porém, no final de toda a construção percebemos o quão benéfico foi para a produção do artigo que está na publicação, do qual muito nos orgulhamos. O registro viabilizou a reflexão sobre a nossa prática, análise das etapas e um enorme aprendizagem”, afirma.

Outro destaque apontado por Adriana foi a possibilidade dar continuidade a novos projetos com diferentes ciclos, já que outras colegas de polo sistematizaram suas experiências em outras modalidades.

Para conferir as demais experiências basta acessar o site do Nepso, na seção de publicações, e fazer o download das obras, disponibilizadas no formato e-book.

Nossa Escola Pesquisa Sua Opinião, 13 anos

O Nossa Escola Pesquisa Sua Opinião (Nepso) é um programa realizado com escolas públicas de ensino fundamental e médio, fruto de uma parceria entre a Ação Educativa e o Instituto Paulo Montenegro. Com o objetivo de estimular e orientar projetos de pesquisas educativas de opinião, envolvendo alunos e docentes, a ideia está baseada no alto valor pedagógico da pesquisa de opinião, capaz de criar projetos de caráter interdisciplinar e oportunidades para a escola pesquisar e conhecer aspectos importantes da sua realidade e do seu entorno.

O coordenador da unidade de Educação, Relações Internacionais e Desenvolvimento e um dos idealizadores do programa, Sergio Haddad, chamou a atenção para longevidade de uma iniciativa que chega ao seu 13º ano, viabilizada pela parceria entre um Instituto Empresarial e uma Organização Não Governamental. “O Nepso é o projeto com maior duração da Ação Educativa, me lembro da sua concepção, quando pensamos na parceria entre a Ação Educativa e o Instituto Paulo Montenegro que também estava sendo estruturado pelo Ibope. E certamente, este lançamento é uma demonstração de que quando há junção de esforços e de distintas expertises para refletir e pensar a escola é possível produzir conhecimento a partir da perspectiva do atores sociais”, comenta.

No Brasil, o programa está disseminado em oito estados-polo: São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Distrito Federal, Paraná e Bahia. Em 2004, iniciou-se a disseminação da experiência em países da América Latina e Europa, sendo eles: Argentina, Chile, Colômbia, México, Peru e Portugal.

Ana Lúcia Lima, diretora executiva do Instituto Paulo Montenegro, evidencia a dinâmica de organização do trabalho e a coerência da proposta como fundamentais para consolidação do programa Nepso. “Observem a dimensão do nosso programa, a diversidade territorial, de modalidades abordadas, o Nepso é um panorama espetacular do que é a educação no Brasil, com seus milhões de desafios, mas também com suas milhões de conquistas e avanços. Ser parte disso, certamente é um privilégio. Construímos um jeito de trabalhar diferenciado, não só por conta da longevidade, mas também em função da coerência. A parceria com os coordenadores de polo faz grande parte desse sucesso, porque a gente dá o pontapé, mas cada um repensa, remolda, adapta para o seu contexto. E nada disso funciona sem os educadores e os estudantes. Almejamos ser referência e inspiração para nós, para outros polos do Nepso e para fora, para aqueles que ainda veem a escola pública com pé atrás”, conclui.

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