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“Cultura é necessária para que não haja retrocesso no Brasil”, afirma prefeito Fernando Haddad

Jovens Monitores/as Culturais da Ação Educativa e do Instituto Pólis dialogaram com o poder público sobre o programa e sobre as políticas culturais da cidade

No dia 13 de abril, em comemoração ao Dia do Jovem, participaram da formação teórica do Programa Jovem Monitor/a Cultural (PJMC) o prefeito Fernando Haddad e o secretário municipal de cultura Nabil Bonduki. O encontro aconteceu no auditório da Fundação Nacional das Artes (Funarte), em São Paulo, e contou com apresentações musicais e poéticas dos/as monitores/as. A mediação ficou por conta de Ingrid Soares, ex-jovem monitora cultural e hoje gestora de redes do Centro Cultural da Juventude (CCJ). Entusiasmada, ela ressaltou seu desejo de que “todos um dia virem gestores culturais de fato”.

A Prefeitura planeja ampliar o programa para as Casas de Cultura, que foram reintegradas à administração da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), em 2014. Anteriormente, esses equipamentos faziam parte da Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras. Tal ampliação foi reforçada pelo secretário Nabil Bonduki. A expansão do programa tem acontecido desde 2013, culminando, ao final de 2014, com 190 jovens atuando em diversos equipamentos.

Haddad falou da importância da cultura na sociedade brasileira e sua centralidade para a capital paulista, chamando atenção para o seu papel na consolidação do respeito à diversidade. “A cultura sempre foi importante e sempre será, mas faz tempo que ela não é tão necessária quanto hoje, para garantir que não haja retrocesso no Brasil”, afirmou.

O prefeito de São Paulo Fernando Haddad em encontro com Jovens Monitores/as Culturais na Funarte. Foto: Carlos G.off/JMC

A gestão dos equipamentos públicos conquistaram centralidade quando Haddad tratou do impacto social das ações culturais. Para o prefeito, é fundamental ressignificar os locais de atuação dos jovens. “A ideia é que vocês [jovens monitores/as culturais] tenham uma formação cultural, um espaço para reflexão, interagindo com os gestores dos equipamentos para promover uma reocupação, uma repaginação, uma reorientação desses equipamentos, até pela experiência que vocês trazem”, disse.

“Acho esse programa excepcional. Nem todo gestor cultural é um artista, mas hoje fica cada vez mais difícil um artista não ter noções de gestão cultural”, afirmou Haddad sobre o PJMC.

Ao parabenizar os/as jovens monitores/as culturais pela atuação, o prefeito afirmou sua convicção de que “precisamos apostar na cultura, que é o que vocês [jovens monitores/as culturais], mais do que qualquer outra camada da sociedade, acreditam, porque ela tem um potencial não só de transformação, mas de resistência”.

 

Ricardo Scardoelli (diretor do CCJ – Centro Cultural da Juventude), Nabil Bonduki, Fernando Haddad e Tadeu de Souza (coordenador da Funarte). Foto: Rogério Fonseca/CCJ

 

Cultura em crescimento

Para o secretário de cultura Nabil Bonduki, a área é uma das que mais crescem do ponto de vista econômico e é preciso formar gestores/as culturais qualificados/as e que possam atuar em diversos lugares do país, a partir de diferentes contextos. Ele ressaltou que a experiência prática dos/as jovens monitores/as culturais é importante para que os equipamentos culturais funcionem de maneira mais orgânica com o território. “A ideia do Programa Jovem Monitor/a Cultural não é simplesmente a ideia de um estágio, onde a pessoa trabalha. A ideia é de um programa que tenha uma formação teórica, de debate, ao mesmo tempo de um processo de atuação no equipamento. Isso é muito importante para quem está se formando. Vemos hoje no país uma demanda muito grande por gestores/as culturais e, no fundo, esse programa cumpre várias finalidades”, disse.

Ingrid Soares, ex-jovem monitora cultural e gestora de redes do CCJ – Centro Cultural da Juventude, e Nabil Bonduki, secretário municipal de cultura. Foto: Carlos G.off/JMC

O secretário tratou de temas como o orçamento da SMC, seus departamentos e áreas. Como urbanista, trabalhou na relação entre cidade e cultura, reforçando a importância do/a “jovem atuar no equipamento, conhecendo as políticas e fazendo uma ação que não é simplesmente o exercício de uma única atividade”.

Os/as jovens puderam dialogar com o secretário trazendo inúmeras questões para reflexão, como o andamento do processo de ampliação do PJMC, a importância de assegurar os direitos desses/as jovens e o acesso efetivo daqueles/as de baixa renda, a reflexão em torno de uma política de cotas dentro do programa, dentre outras questões. Também fizeram perguntas sobre a atuação no campo cultural e a concepção e execução de políticas públicas desse universo. “Depois dessa formação rica que nós temos, tanto teórica, quanto prática, como vocês pensam esse jovem daqui três ou quatro anos? Como vocês pensam nossa atuação na cidade?”, perguntou Juliana Gervaes, jovem monitora cultural da Produção do Departamento de Expansão Cultural (DEC). O secretário espera que o tempo de atuação no Programa Jovem Monitor/a seja relevante para a profissionalização em gestão cultural, produção cultural e até na atuação dos jovens enquanto artistas. “Que essa experiência seja importante, que os capacite para poderem atuar, seja na Prefeitura ou em outros lugares”.

 

Programa Jovem Monitor/a Cultural

O encontro reuniu pela primeira vez todos/as os/as jovens das instituições conveniadas. Atualmente, os/as 126 jovens que recebem formação da Ação Educativa atuam no CCJ – Centro Cultural da Juventude, nas bibliotecas municipais, no Museu da Cidade/Solar da Marquesa, OCA do Parque Ibirapuera e Arquivo Histórico. Já o Instituto Pólis realiza a formação de 60 jovens que atuam no Centro Cultural da Penha (CCP), Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes (CFCCT), teatros distritais, Cidadania Cultural, Fomentos e outros setores do Departamento de Expansão Cultural (DEC).

Criado pela Lei Municipal 14.968/09 e regulamentado pelo Decreto Municipal 51.121/09, o PJMC se realiza através de 30 horas semanais remuneradas, sendo 24 de formação prática, executadas em equipamentos públicos da SMC, e 6 de formação teórica, na qual são promovidas leitura, discussão e produção de textos, visitas monitoradas, elaboração de projetos e participação em oficinas.

De acordo com Alexandre Piero, ex-diretor do CCJ, entre seus desafios e perspectivas estão a valorização da sua dimensão formativa, sua compreensão enquanto programa de formação pelos equipamentos culturais e sua expansão para novos espaços da SMC, integrando-o também com outras políticas, como o Pronatec Cultura.

Jovens Monitores/as Culturais da Ação Educativa e do Instituto Pólis, após o encontro. Foto: Carlos G.off/JMC

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