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Em sua 4ª edição, Encontro Estéticas das Periferias inova e valoriza diversidade cultural periférica

Com destaque para experimentações artísticas e ações nas redes sociais, evento ocupou 20 espaços culturais das periferias paulistanas

Em todas as áreas – da sul a norte – a quarta edição do encontro Estéticas das Periferias mobilizou inúmeros espaços culturais nos fundões da capital paulistana. Até praças foram palcos da pluralidade cultural que vem das periferias. A palavra de ordem foi o experimentalismo artístico, que permeou a programação, pensada a muitas mãos e coordenada pelo produtor cultural Adriano José.

A abertura ficou por conta do espetáculo “Favela”, sob a direção artística de Lucelia Sergio, da Cia. Os Crespos. O desafio foi reunir quatro das companhias de Teatro Negro de São Paulo (Os Crespos, Coletivo Negro, Capulanas Cia de Arte Negra e Grupo Clariô de Teatro) e a última revelação da música negra, a Banda Aláfia, para homenagear dois ícones da trajetória política afro-brasileira: Carolina Maria de Jesus e Abdias Nascimento.

Para Adriano o processo de montagem desta peça foi um dos avanços estéticos desta edição. Ele destaca a proposta de composição coletiva como um dos legados do Estéticas 2014. “Ver as principais companhias de teatro negro, que pensam seu trabalho de forma independente e distinta, por meio – muitas vezes – de linguagens diversas, reunidas, criando um espetáculo de forma coletiva, aliadas a uma banda que também tem a negritude como seu pano de fundo, certamente, é um dos legados excepcionais que o evento deixa para as estéticas negras e para as estéticas periféricas”, ressalta.

Este foi o início das inovações que se seguiram por meio da Mostra de Teatro Negro e mais quatro espetáculos. Além, é claro, de muitos shows, que representaram toda a diversidade dos quintais dos bairros mais afastados. Foram mais de 30 apresentações, do funk aos saraus de poesia, passando por oficinas e programação infantil.

Outro destaque foram os Percursos Artísticos que asseguraram experiências inusitadas por inúmeros pontos não explorados de São Paulo. O Coletivo Imargem e o pessoal do Sarau do Binho apresentaram as belezas naturais do extremo sul, com trajetos e olhares diferentes. Os participantes puderam conhecer a Ilha do Bororé, a aldeia indígena Tenondé Porã e o famoso bloco do Beco.

Os amantes de futebol foram até o Capão Redondo e o sucesso que foi visto no Mundial de Futebol de Rua se repetiu. Os meninos que representaram o Brasil no torneio conduziram as partidas seguindo a metodologia que foi consagrada em julho nas ruas do centro. A história do futebol amador e a memória ficaram por conta da equipe do Museu do Futebol. E o show do intervalo e os melhores lances contaram com a narração irreverente do grupo Narra Várzea.

Pela Zona Norte, os Amigos do Samba mostraram a tradição e história dos Samba dos bons tempos e a arte das mulheres negras foi representada pelos versos do Coletivo Mjiba.

Adriano revela que para a edição de 2015 a ideia é ampliar o número de percursos e envolver ainda mais coletivos e novos circuitos de arte nas quebradas. “Sempre vemos diversas apresentações artísticas acontecerem na periferia durante todo ano. Agora, fazer com que essas pessoas, que circulam pela cidade, passem a fazer isso coletivamente, em um circuito pensado em conjunto e percorrido por um ônibus, além de inusitado é inovador. Atingimos uma nova fase, um passo a frente do pensar o espetáculo. Debruçamos-nos sobre o fazer artístico, o processo coletivo de criação. Por isso, para 2015, queremos aumentar os percursos artísticos, fazer dez, com dois por região da cidade”, conta.

No encerramento, a festa foi na pracinha, teve feira de Economia Solidária, Tenda Lúdica do bloco afro Ilú Obá de Min, samba de Tia Cida dos Terreiros, a Caravana do Funk e muito hip hop, com os shows de Karol Conká, Emicida e Rael. As picapes foram comandadas pelos DJ Simmone Lasdenas, Erry-g, Erick Jay e OLVR. Estima-se que cerca de 4 mil pessoas estiveram presentes durante todo o dia de atividades e shows.

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