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Estéticas das Periferias 2026 coloca as mulheridades no centro da cena com programação que ocupa territórios e conecta periferias ao coração de São Paulo

16ª edição do festival realizado pela Ação Educativa reúne mais de 50 coletivos culturais em uma programação gratuita que celebra a potência criativa, política e cultural das mulheres e ocupa diferentes territórios da capital paulista entre os dias 22 e 30 de agosto

As periferias de São Paulo ocupam o centro do debate cultural brasileiro entre os dias 22 e 30 de agosto, quando acontece a 16ª edição do Encontro Estéticas das Periferias, realizado pela Ação Educativa. Neste ano, o festival convida o público a acompanhar os percursos e as criações de mulheres que transformam seus territórios todos os dias, tendo como tema “Mulheridades em movimento: das quebradas ao centro”. Construída coletivamente por mais de 50 coletivos culturais, a programação gratuita ocorre em equipamentos culturais, espaços comunitários e territórios periféricos da capital paulista, reunindo espetáculos, saraus, slams, apresentações musicais, performances, exposições, rodas de conversa, oficinas e diversas atividades que evidenciam a potência artística e política das periferias.

Ao reunir atividades em todas as regiões da cidade, o Estéticas das Periferias reafirma uma de suas principais características desde a criação: a construção coletiva. Em vez de concentrar sua programação em um único equipamento cultural, o festival transforma diferentes territórios em espaços de encontro, circulação artística e fortalecimento comunitário, ampliando o acesso da população à produção cultural das periferias e estimulando o intercâmbio entre artistas, coletivos e públicos diversos. Mais do que levar atrações para os bairros, a proposta é reconhecer que esses territórios são, historicamente, lugares de criação, pensamento, experimentação e inovação cultural.

Entre os destaques da 16ª edição do Estéticas das Periferias está o espetáculo de abertura “Tessituras – Ventos e Vozes de Mulher”, dirigido por Dani Nega, que reúne grandes nomes como Taís Araújo, Leci Brandão, Fabiana Cozza, Brisa Flow, Linn da Quebrada, e Luz Ribeiro em uma celebração da potência criativa e política das mulheres no Sesc 14 Bis. A programação também promove o já tradicional Torneio de Slam, no Instituto Moreira Salles, com poetas de diferentes regiões do Brasil, reforçando a força da poesia falada 

periférica; o Encontro de Mulheres: Arte, Memória e Resistência, no Museu das Favelas, com roda de samba e atividades voltadas ao protagonismo feminino; e a exposição Peito do Céu da fotógrafa Pétala Lopes,primeira mostra individual da artista que passa a ocupar o Espaço Cultural Periferia no Centro, sede da Ação Educativa. 

Outro destaque é a programação Hip Hop Mulher: Graffiti, Lambe-Lambe e Slam Astro, na Escola Estadual Prof. Astrogildo Arruda, que transforma a escola pública em espaço de formação artística, intervenções urbanas e fortalecimento da cultura hip hop protagonizada por mulheres e jovens.

Sobre o estéticas das periferias 

Criado em 2011, o Estéticas das Periferias consolidou-se como uma das principais iniciativas dedicadas à valorização da produção artística, cultural e intelectual das periferias brasileiras. Ao longo de sua trajetória, o festival já realizou mais de mil atividades, reuniu mais de oito mil artistas e mobilizou mais de 100 mil pessoas, fortalecendo redes culturais e ampliando a circulação de produções que frequentemente permanecem à margem dos grandes circuitos da cidade. Mais do que um festival, o Estéticas tornou-se um espaço permanente de encontro, experimentação e construção coletiva entre artistas, coletivos e comunidades, reafirmando as periferias como territórios de produção de conhecimento, inovação estética e transformação social.

Em 2026, o festival reconhece a pluralidade de experiências, identidades e trajetórias femininas que atravessam as periferias brasileiras e evidencia como mulheres negras, indígenas, periféricas, cis, trans e de diferentes gerações produzem diariamente conhecimento, arte, memória, tecnologias sociais e formas coletivas de cuidado e resistência. Em vez de restringir essas narrativas às desigualdades que enfrentam, o festival celebra sua capacidade de criar, reinventar territórios e projetar futuros por meio da cultura.

“O Estéticas das Periferias nasce da escuta dos territórios e é construído coletivamente por quem produz cultura nas periferias da cidade. Nesta edição, escolhemos colocar as mulheridades no centro porque reconhecemos que são essas mulheres que, todos os dias, movimentam redes de solidariedade, preservam memórias, produzem conhecimento e reinventam formas de existir. O festival é um convite para que essas trajetórias sejam vistas em toda a sua potência artística, política e transformadora, aproximando diferentes públicos das histórias que estão sendo produzidas nas quebradas e que ajudam a pensar novos caminhos para a cidade”, afirma Fernanda Nascimento, coordenadora de cultura da Ação Educativa.

Ao longo de nove dias, a programação ocupará diferentes regiões da cidade, conectando equipamentos culturais consolidados, como o Sesc 14 Bis, o Instituto Moreira Salles (IMS) e o Museu das Favelas, a espaços culturais independentes, ocupações, escolas, praças e espaços comunitários distribuídos por bairros como Butantã, Cidade Ademar, Grajaú, Jaçanã, Vila Maria, Penha, Ermelino Matarazzo, Sapopemba, São Mateus, São Miguel Paulista, Vila Jacuí e Itaim Paulista. A descentralização, característica histórica do festival, reafirma a proposta de reconhecer os territórios periféricos como protagonistas da produção cultural da cidade.

Confira alguns destaques da programação

• Espetáculo de abertura – “Tessituras – Ventos e Vozes de Mulher”

Local: Sesc 14 Bis – Teatro (2º andar) – Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – Bela Vista – São Paulo/SP
Data: 26/08
Horário: 19h30 às 21h30
Atividade: Criado especialmente para abrir a 16ª edição do Estéticas das Periferias, o espetáculo celebra a potência criativa, política e cultural das mulheres por meio de uma grande experiência cênico-musical que reúne diferentes linguagens, gerações e trajetórias artísticas. Sob direção de Dani Nega, uma banda formada exclusivamente por musicistas mulheres conduz encontros inéditos entre atrizes, cantoras, poetas, dançarinas, DJs, ativistas e coletivos culturais. Música, teatro, poesia, dança, performance e cultura hip hop se unem nesse espetáculo que celebra as potências femininas. Entre as participações estão Taís Araújo, Leci Brandão, Fabiana Cozza, Linn da Quebrada, Naruna Costa, Brisa Flow, Luz Ribeiro, DJ Cinara, Izandra, além de outras artistas convidadas.

• Torneio de Slam

Local: Instituto Moreira Salles (IMS) – Avenida Paulista, 2424 – Bela Vista – São Paulo/SP

Data: 29 e 30/08

Horário: Sábado, das 14h às 19h | Domingo, das 15h às 18h

Atividade: Um dos momentos mais tradicionais do Estéticas das Periferias, o Torneio de Slam reúne coletivos de diferentes estados brasileiros para apresentar um panorama da produção contemporânea da poesia falada periférica. Com curadoria de Emerson Alcalde, do Slam da Guilhermina, o campeonato promove encontros entre comunidades de slam de São Paulo, Paraná, Rondônia, Goiás, Maranhão e outros estados, reforçando o spoken word como uma das expressões artísticas mais potentes das periferias. Mais do que uma competição, a atividade evidencia a diversidade de vozes, narrativas e experiências que atravessam a produção poética periférica contemporânea.

  • Exposição Peito do Céu 

Local: Espaço Cultural Periferia no Centro – Ação Educativa – Rua General Jardim 660, Vila Buarque – SP 

Data: 24/08 a 24/11

Coquetel de abertura: 24/08 às 18h
Visitação: Segunda a sexta, exceto feriados, das 10h às 19h, com entrada gratuita.

Atividade: A fotógrafa Pétala Lopes ocupa o espaço expositivo do Espaço Cultural Periferia no Centro com sua primeira mostra individual. Em um cenário marcado pelo avanço do ultraconservadorismo e pelo fortalecimento de discursos extremistas, racistas, misóginos e antigênero, torna-se fundamental não apenas responder a essas ofensivas, mas também retomar alianças duradouras construídas entre mulheres, resgatar a memória da ancestralidade e fazer dos laços de afeto, morada.

A partir do olhar sensível de Pétala Lopes, a exposição apresenta uma pesquisa íntima da artista de resgate de sua ancestralidade, por meio de registros, objetos e patuás das mulheres de sua família.

• Encontro de Mulheres: Arte, Memória e Resistência

Local: Museu das Favelas – Largo Pátio do Colégio, 148 – Centro Histórico – São Paulo/SP

Data: 29/08

Horário: A definir

Atividade: O Museu das Favelas recebe uma programação dedicada ao encontro entre cultura, memória e protagonismo feminino com apresentação da roda de samba Amigas do Samba. A atividade integra o eixo central desta edição ao reconhecer a música e as manifestações culturais como espaços de fortalecimento das redes comunitárias, valorização das trajetórias das mulheres periféricas e preservação de saberes transmitidos entre gerações, promovendo um encontro entre tradição, celebração e resistência cultural.

• Mulheridades em Movimento Da Quebrada ao Centro

Local: Praça Mascarenhas de Moraes – Rua Sargento Edgard Lourenço Pinto, 54–72 – Conjunto Habitacional Marechal Mascarenhas de Moraes – São Paulo/SP

Data: 30/08

Horário: 14h às 20h

Atividade: Um dos maiores encontros territoriais desta edição, a programação transforma a Praça Mascarenhas de Moraes em um espaço de convivência, arte e fortalecimento coletivo. Realizada pelos coletivos Som na Praça, São Mateus em Movimento, Arteiros Produções e Sarau do Vale, a atividade reúne apresentações musicais, saraus protagonizados por mulheres cis e trans, feira de empreendedorismo feminino, workshop de customização de roupas (upcycling), atendimento com trancistas, produção de retratos e depoimentos das participantes, rodas de conversa sobre equidade de gênero e masculinidades, espaço recreativo para crianças e apresentações de artistas como MC Kety e Patríci Carneiro. A proposta evidencia como cultura, cuidado, geração de renda e participação comunitária caminham juntos na construção de territórios mais inclusivos e democráticos.

• Hip Hop Mulher: Graffiti, Lambe-Lambe e Slam Astro

Local: Escola Estadual Prof. Astrogildo Arruda – Rua Domingos do Sacramento, 275 – Vila Carolina – São Paulo/SP

Data: 25 a 28/08

Horário: Das 9h às 17h, conforme programação de cada dia

Atividade: A programação reúne ações formativas e intervenções urbanas que fortalecem o protagonismo de mulheres e jovens na cultura hip hop. Ao longo de quatro dias, estudantes e comunidade participam de oficina de lambe-lambe, pintura coletiva de graffiti e da edição comemorativa de oito anos do Slam Astro. Desenvolvida pelos coletivos Hip Hop Mulher,  Arte e Cultura na Kebrada e Dream Team do Guetto, a atividade reafirma a escola pública como espaço de produção artística, ocupação cultural e formação cidadã por meio da poesia falada e da arte urbana.

Nesta edição, o conceito “Mulheridades em movimento: das quebradas ao centro” l propõe olhar para essas trajetórias para além das desigualdades e violências que as atravessam, destacando a capacidade das mulheres de produzir conhecimento, preservar memórias, sustentar comunidades e transformar a cidade por meio de práticas cultivadas cotidianamente.

“O Estéticas das Periferias sempre buscou aproximar diferentes territórios e ampliar a visibilidade da produção cultural que nasce nas quebradas. Nesta edição, queremos que o público encontre mulheres que estão reinventando linguagens, fortalecendo redes comunitárias e produzindo novas formas de pensar a cidade. É um festival construído por muitas mãos e que reafirma a cultura como espaço de encontro, de escuta e de transformação social”, destaca Fernanda Nascimento, da Ação Educativa.

Realizado pela Ação Educativa, o Estéticas das Periferias conta com patrocínio do Itaú, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e parceria institucional do Sesc-SP e do Instituto Moreira Salles (IMS). A edição de 2026 também conta com a parceria do Programa Nacional dos Comitês de Cultura em São Paulo (PNCC) e do Museu das Favelas, além da participação de dezenas de organizações e coletivos que ajudam a construir, de forma colaborativa, uma das mais importantes iniciativas dedicadas à valorização da arte e da cultura produzidas nas periferias brasileiras.

SERVIÇO

16º Encontro Estéticas das Periferias

Tema: Mulheridades em movimento: das quebradas ao centro

Quando: 22 a 30 de agosto de 2026

Onde: Diversos espaços culturais e territórios da cidade de São Paulo.

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