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Estilo de vida: Graffiti

Confira o resultado da conversa com Tikka Meszaros, homenageada da 12ª edição do Dia do Graffiti

“Pretensão, nunca tive de nada. O graffiti é a minha raiz”. Assim começa a conversa com Tikka Meszaros, a homenageada da edição 2015 do Dia do Graffiti. A ideia era construir mais um registro de sua obra e trajetória, porém o contexto narra outra história: a reunião de amigos e amigas que se reúnem há 12 anos para reencontros, trocas de experiências e, dessa vez, para celebrar a arte urbana a partir da perspectiva dessa artista reconhecida pelos seus traços e engajamento na cena cultural.

Retratar a sua produção passa por entender esse terreno do improviso e informalidade comum ao universo do graffiti. A trajetória de Ana Carolina Meszaros começou ainda em 2002, de uma “brincadeira” – como ela mesma conta – as escolhas eram entre muitas opções, “poderia ser capoeira num dia e graffiti no outro, tranquilamente”. Sua primeira crew foi a VIP, depois, enquanto o processo de elaboração artística foi se aprimorando, surgiram as Noturnas – coletivo de garotas que se unem não por serem garotas, mas pela vontade de estar junto, se apoiar nas diferenças e pintar.

“Sempre foi tudo muito natural para mim, como em uma família. De fato, na época das Noturnas, a gente mais bebia cerveja, do que graffitava e esse era o lance. Aos poucos foi se profissionalizando, esse é um processo sempre complexo. Nem todas estavam no mesmo momento, chegam os primeiros filhos, enfim, a vida foi se encaminhando de levar cada uma para um lado”, relembra Tikka.

Em uma das áreas nobres da exposição anual – aberta ao público na sede da Ação Educativa, a graffiteira apresenta seu trabalho com sua nova crew: as Diurnas, que leva este nome por representar a nova fase das artistas envolvidas. “A Kátia [Suzuê], a Bárbara [Goy], já tem seus filhos, nem somos mais tão noturnas. A Dninja chega pra completar o time, nos conhecemos há muito tempo, nos reaproximamos por conta do trabalho que fizemos na 23 de maio. Aí você poderia me questionar novamente sobre expectativas profissionais, futuro… Esquece, é mais uma brincadeira, o graffiti é meu estilo de vida. O que a gente faz com a vida, além de viver?”, indaga.

Quando o tema é a homenagem, Tikka se emociona, define como sendo sensacional. A artista destaca a importância de elevar o trabalho de mulheres no mundo do graffiti. Ela critica o preconceito que muitas delas sofrem profissionalmente por ‘serem mais velhas’, estarem há mais tempo na trajetória da arte urbana e não serem valorizadas. “As pessoas sempre colocam de uma maneira complicada quando olham o meu trabalho. Vem sempre na linha do ‘você foi reprimida?’, ‘sofreu algum preconceito?’. Sempre tive uma postura em minha vida de me colocar como igual, nunca levantei bandeira, porque a minha prática já é uma bandeira, a minha arte e o meu reconhecimento, hoje aqui, são resultados dessa luta. Ser homenageada foi um prêmio, talvez o mais especial pra mim, isso pra mim foi tudo”, conclui.

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