Entre dezembro e o final de janeiro, a Ação Educativa abriu as portas para Afluentes: corpos-rios-territórios, mostra que entrelaçou ciência, cultura e educação popular para pautar os desafios socioambientais contemporâneos. Parte da iniciativa Por uma Cultura Ecológica em um Mundo Sustentável, a obra convidou o público a percorrer geografias vivas, onde corpos e rios se fundem como potências políticas em movimento.
A concepção da mostra brotou de gestos curatoriais complementares. O alicerce conceitual partiu de uma obra videográfica estruturada sobre as pesquisas do professor Luiz Marques. Suas imagens sobre a Mata Atlântica fundamentam uma leitura crítica da devastação brasileira, sustentando a narrativa sobre memória, ecocídio e responsabilidade histórica.
Dessa base teórica, a narrativa fluiu para as lentes de Maicon Douglas. Nas séries fotográficas Nascente, Confluência e Foz, o fotógrafo traduziu em registros sensíveis o percurso do projeto no Jardim Lapenna. Seu olhar, atento às intersecções entre juventude e território, deu visibilidade aos fluxos coletivos gestados durante o processo formativo.
A articulação entre a perspectiva histórica de Luiz Marques e a curadoria compartilhada de Maicon Douglas, Juliane Cintra e Raquel Luanda teceu uma trama contínua. Nela, imaginação política e ação coletiva convergem como rios que, ao se encontrarem, criam uma pororoca capaz de romper margens e anunciar novos horizontes.
As três séries guiaram o público por esse ciclo vital:
– Nascente: Retratos de jovens e educadores que revelam o surgimento da consciência socioambiental e do afeto como sementes políticas.
– Confluência: O registro dos processos de trabalho, onde metodologias se constroem e a educação popular tece o comum.
– Foz: O momento em que o rio deságua no mundo, em intervenções e ocupações do espaço público onde a formação se transmuta em política viva.
Mais do que um acervo estático, Afluentes: corpos-rios-territórios afirmou-se como um convite à escuta. A mostra propôs uma imersão nos vínculos entre cultura e justiça socioambiental, partindo das experiências de quem já constrói, no agora, outros modos de existir e habitar a Terra.