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Plano Juventude Viva em debate: confira entrevista com o Coordenador de Juventude da Prefeitura de São Paulo, Gabriel Medina

O coordenador de juventude da Prefeitura de São Paulo, Gabriel Medina, conversou com a Ação Educativa sobre o Plano Juventude Viva

AÇÃO EDUCATIVA: Quais são as expectativas da coordenadoria em relação a implementação do Plano Juventude Viva?

GABRIEL MEDINA: Para nós a grande expectativa é que o Plano Juventude Viva possa impulsionar uma grande agenda de políticas de juventude na cidade que nos ajude a diminuir as desigualdades sociais. Uma das questões fundamentais do plano é enfrentar a questão do racismo na cidade de São Paulo, da violência, enfim, a própria questão dos homicídios. Estamos aproveitando esta iniciativa para estabelecer um grande programa de políticas públicas para jovens de periferia e jovens pobres da cidade.

AÇÃO EDUCATIVA: Qual o lugar da participação social no monitoramento e acompanhamento da implementação do Plano Juventude Viva?

GABRIEL MEDINA: Temos muita coisa que está sendo construída, porque fundamentalmente a ideia da Rede Juventude Viva é algo que precisa ser aprimorado e tem que ter uma reflexão mais profunda sobre os mecanismos de empoderamento da sociedade civil. Porque – é importante que se diga – não é só abrir para participação, mas sim pensar como as ações do Juventude Viva positivam essa participação e fortalecem os movimentos sociais.

Em alguma medida, isto já está acontecendo com algumas parcerias na Zona Sul, como o lançamento do Observatório Popular de Direitos, iniciativa da sociedade civil do Campo Limpo que estamos apoiando. Que já traz essa demanda de fortalecimento da sociedade civil para o monitoramento do plano, constituição de uma rede da sociedade civil.

Além disso, este plano passou por uma série de debates para ser construído, desde a Semana de Hip Hop que aconteceu em março, quando fizemos uma conversa na Câmara dos Vereadores, depois tivemos um processo de debate com os movimentos sociais e o movimento negro aqui na Praça das Artes, que contou com cerca de 100 pessoas, de quase todos os movimentos relacionados a temática. E claro, aconteceram diversos diálogos na Zona Sul, região em que estamos mais territorializando nossas ações. Lá, existe um comitê, composto de forma paritária pelo governo e pela sociedade civil.

Eu acho que nós temos como desafio ainda fortalecer essa ideia de comitê ou um conselho mais amplo da cidade, porque ele é uma política para cidade, não só para o território. Já está em nosso conjunto de ações fortalecer agências jovens de notícias que possam dar voz aos jovens da comunidade, serem importantes canais de denúncia e de promoção de ações.

AÇÃO EDUCATIVA: Sobre a questão do orçamento, que tem gerado muitas dúvidas, gostaria que explicasse qual é o montante destinado para implementação da iniciativa, bem como se dará a distribuição desses recursos durante a gestão.

GABRIEL MEDINA: O que precisa ficar claro é que o Juventude Viva entrou no Plano de Metas, com um conjunto de recursos que são as ações que a SEPPIR [Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial] e a Coordenação de Juventude vão realizar do ponto de vista da agenda. Para o ano que vem  está previsto algo em torno de 9 milhões.

AÇÃO EDUCATIVA: Mas esse não é o conjunto de recursos que estão comprometidos com o programa, correto? Temos a parte oriunda do governo federal?

GABRIEL MEDINA: Claro! Observe, o Juventude Viva foi construído a partir da terceira portaria do governo Haddad que constituiu um grupo intersecretarial, composto por dez secretarias. O que fizemos? Fomos solicitando os compromissos de cada uma dessas instâncias com a agenda. Assim, as secretarias foram colocando as políticas que entrariam dentro da agenda Juventude Viva para monitoramento do Comitê Gestor. O que resultou em um conjunto de recursos que está na casa dos 168 milhões 570 mil, desses 15 milhões vem do governo federal e  153 do governo municipal.

AÇÃO EDUCATIVA: Então, que monitora o emprego dos recursos e efetivação dos compromissos assumidos é o Comitê Gestor?

GABRIEL MEDINA: Sim, esse comitê tem a função de monitorar esses investimentos, a distribuição nos territórios prioritários e ao longo dos anos.

AÇÃO EDUCATIVA: Mas e os nove milhões presente no Plano de Metas serão destinados para quais ações?

GABRIEL MEDINA: Como disse, na verdade, esta é uma parte dos recursos que a SEPPIR e a Juventude vão ter para fazer as mobilizações, de apoio aos coletivos, de campanha, para mobilizar a agenda. Agora, as políticas públicas são realizadas pelas outras secretarias, nós não tocamos política de educação, política de cultura, política de trabalho. Nós temos que fazer com que essas secretarias comprometam suas ações dentro do Juventude Viva.  E foi esse o esforço que nós desenhamos e por isso que às vezes ficam as dúvidas sobre o conjunto do investimento e o tamanho da agenda.

AÇÃO EDUCATIVA: Vocês pretendem publicizar detalhadamente os compromissos assumidos por esse grupo intersecretarial, bem como tratar sobre a distribuição dos recurso?

GABRIEL MEDINA: Vai ter uma audiência pública no Campo Limpo agendada pra fevereiro sobre a questão do orçamento e a ideia é publicar essa planilha detalhada de ações na Internet. Estamos buscando que cada secretaria nos ajude a territorializar os dados, inclusive descrever como será a realização dessa meta, por isso não disponibilizamos ainda.

AÇÃO EDUCATIVA: Qual demanda você aponta como principal desafio?

GABRIEL MEDINA: Precisamos construir uma metodologia do Plano Juventude Viva para a cidade de São Paulo e pensar como articular as diretrizes federais no território, com as políticas municipais. Como constituir um processo que estamos chamando de diagnóstico do território, de busca ativa do jovem, de acompanhamento de trajetória de vida. Todas essas questões ainda estão em aberto, porque não vieram prontas com o programa.

Para que o Plano Juventude Viva seja desenvolvido na cidade, carece de um conjunto de elaborações que não estão resolvidas no plano federal, que exigem um mergulho do município no sentido de desenvolver metodologias, processos,  integração das políticas, porque senão vamos reproduzir a lógica de caixinhas no território que não se conversam e não dão conta de desenvolver políticas integrais.  É todo um processo metodológico de construção da agenda que precisa estar conectada com os desafios da cidade.

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