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Pontapé inicial: com jogos de exibição, Mundial de Futebol de Rua é lançado na Cracolândia. Próximo encontro será na Semana Mundial do Brincar no dia 25

Evento contou com a presença dos polos brasileiros de difusão da metodologia do fútbol callejero e com o cortejo do Bloco EURECA – Eu Reconheço o Estatuto da Criança e do Adolescente

A tarde de sábado do dia 26 de abril foi diferente na Rua Helvetia, o Mundial de Futebol de Rua ocupou as travessas da Cracolândia, região do centro da cidade de São Paulo, marcada por situações de conflito envolvendo moradores de ruas e dependentes de drogas.

As quadras foram rapidamente pintadas pelos jovens que integram a iniciativa por meios dos polos de difusão da metodologia do fútbol callejero no espaço em frente à base do Programa De Braços Abertos – ação da Prefeitura que busca reduzir o consumo de crack na região – que, em parceria com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos, apoiou a realização do lançamento.

A transformação, que aos poucos o local foi sofrendo, contou com as intervenções artísticas dos grafiteiros em painéis reciclados e na parede de Seu Cícero, morador do bairro, que cedeu também energia elétrica para auxiliar a produção da atividade. “Em dez anos, eu não vi nada sendo feito nesta rua, com certeza é bom para todos os moradores deste lugar”, comenta.

Para não perder nenhuma das jogadas, enquanto a bola rolava, os palpites e comentários ficaram por conta dos poetas e agitadores culturais do Narra-Várzea, projeto da Agência Solano Trindade, que transmite a emoção dos lances que vem dos campos de terra da capital paulista.

O grupo de rap Z’África Brasil comandou o som e a festa foi garantida pelo cortejo do Bloco EURECA – Eu Reconheço o Estatuto da Criança e do Adolescente, que com o samba-enredo “Copa do Mundo: uma goleada de violações”, envolveu todos os presentes que puderam compor o bloco, pegar seu instrumento e ajudar na batucada.

O coordenador de mobilização do Mundial de Futebol de Rua, Rodrigo Medeiros, relembra como foi o processo de preparação desta grande celebração. “A ideia de ocupar a Cracolândia surgiu numa reunião junto a SMDHC [Secretaria Municipal de Direitos Humanos], para somarmos ações junto Programa Braços Abertos. Logo todos ficaram muito entusiasmados com a ideia e surgiu a proposta de convidar o Bloco Eureca, composto por crianças e adolescentes do Projeto Meninos e Meninas de Rua e do Cedeca Sapapomba. Vale dizer também que este foi o primeiro encontro entre todos os times de cada organização, bem como a primeira ocupação naquele espaço invisível e que muitos querem erradicar da cidade. Com futebol, graffiti, poesia e musica conseguimos provar que ações de intervenção coletiva trazem à tona a vida e a flor escondida pelo preconceito, pela violência e destruição provocada pelo crack. Quem esteve presente pode sentir que é possível celebrar o encontro, a troca, o sorriso, nas situações mais adversas. Ocupamos a rua com a bandeira dos Direitos Humanos.”

Até o Mundial de Futebol de Rua, que acontece entre os dias 1º e 12 de julho, serão promovidos muitos eventos de apresentação. O próximo encontro será no dia 25 de maio na abertura Semana Mundial do Brincar, promovida pela Aliança pela Infância entre os dias 25 e 31 de maio. Rodrigo ressalta que esta será uma oportunidade de agregar mais um novo grupo ao projeto, dos imigrantes bolivianos e paraguaios. “Um dos nossos encontros de mediadores foi no Centro Esportivo Raul Tabajara, que também fica no centro, cada vez mais adolescentes e jovens bolivianos e paraguaios estão vindo para o Brasil e quebrar preconceitos ou barreiras se faz fundamental. Estou certo de que o Futebol de Rua pode contribuir com este processo e vamos enfrentar este desafio”, conclui.

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