Notícias
Compartilhar

Projeto A Cor da Cultura retorna aos estados do Pará e Maranhão

Encontro pretende discutir avanços e conquistas enfrentados pelos educadores/as nesse processo de construção de ações que visem efetivar a implementação da lei 10.639/03

Na ultima semana de maio, a Ação Educativa e o Geledés – Instituto da Mulher Negra vão realizar o retorno do projeto A Cor da Cultura nos estados do Pará e Maranhão. No intervalo entre a formação que aconteceu em agosto e setembro de 2013, os participantes da formação tiveram a missão de sensibilizar e multiplicar a metodologia com outros educadores/as das suas escolas, bem como construir um projeto pedagógico que inclua as demandas de lei 10.639/03 nas ações e currículo da unidade escolar.

Também neste intervalo, as instituições formadoras estão realizando atividades em um ambiente virtual chamado Sala Camutuê. São 11 organizações envolvidas: Associação Centro de Estudos Afro-Asiáticos da Universidade Candido Mendes – ACEAA (RJ), Centro de Articulação de Populações Marginalizadas – CEAP (RJ), Instituto de Juventude Contemporânea – IJC (CE), Instituto de Desenvolvimento Cultural Nova Iguaçu – INDEC (RJ), Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade Federal do Paraná – NEAB/UFPR (PR), Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade Federal de Uberlândia – NEAB/ UFU (MG), N’Zinga – Coletivo de Mulheres Negras de Belo Horizonte (MG), Instituto Odara (BA) e Inclusão TECX (PA).

Os temas de debate deste ambiente virtual são os chamados Valores Civilizatórios Afro-brasileiros: circularidade, religiosidade, corporeidade, musicalidade, cooperativismo/comunitarismo, ancestralidade, memória, ludicidade, energia vital (axé), oralidade e circularidade.

Cada instituição formadora ficou responsável por tratar uma dessas dimensões. A Ação Educativa trabalhou com o valor “Territorialidade”, relacionando-o à nossa história e provocando para o debate sobre rede de proteção de direitos das crianças e adolescentes, gestão democrática da escola, envolvimento da comunidade escolar e participação.

O debate sobre rede de proteção e implementação da lei 10.639/03 também se relaciona com uma das prioridades do projeto A Cor da Cultura III: o diálogo com o programa Juventude Viva e o tema genocídio da juventude negra.

O programa Juventude Viva, do governo federal, provoca as diferentes instituições de garantia de direitos para que funcionem também para um grupo historicamente discriminado e que está sendo assassinado: a juventude negra. Em outras palavras, o Juventude Viva propõe acabar com o racismo institucional também presente no funcionamento da rede de proteção.

Para dialogar sobre a temática territorialidade na Sala Camutuê, lançou-se uso da “Dimensão 7 – Para além da escola” da publicação “Indicadores da Qualidade na Educação – Relações Raciais na Escola”. Material que também foi incluído no kit A Cor da Cultura III, distribuído para as escolas que participaram do processo de formação.

Essa dimensão visa provocar a construção de ações da escola para o combate das desigualdades no ambiente escolar e garantir uma educação de qualidade para todos e todas. Considerando a complexidade, os conflitos e as dores que envolvem trabalhar a temática do racismo e outras discriminações, acreditamos que essa ação articulada se coloca como fundamental para a superação das desigualdades na escola.

Durante o retorno, o encontro com educadoras e educadores será promovido para discutir avanços, conquistas, dificuldades e desafios nesse processo de construção de ações que visem efetivar a implementação da LDB alterada pela 10.639/03. A Ação Educativa e o Geledés – Instituto da Mulher Negra serão responsáveis por uma palestra sobre racismo institucional e qualidade da educação.

A assessora do programa Diversidade, Raça e Participação, Jaqueline Lima Santos, destaca que “o racismo institucional é um obstáculo para a garantia do direito humano à educação e que não existe qualidade da educação com racismo”.

Comentários: