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Projeto Mude com Elas articula multiatores para incidir em políticas sobre juventude, raça e gênero no mundo do trabalho

Nos meses de junho e julho, o projeto Mude com Elas promoveu duas edições das oficinas multiatores, encontros de articulação que reúnem representantes do setor privado, poder público e sociedade civil para construir coletivamente uma agenda comum de propostas e estratégias de incidência em políticas públicas considerando os desafios de inserção de jovens mulheres negras no mundo do trabalho. No primeiro encontro, foi apresentada uma pesquisa com dados sobre a conjuntura de mulheres negras e mundo do trabalho, e no segundo, foram levantadas, conjuntamente, propostas e estratégias de incidência.

A mobilização multiatores promove o protagonismo de jovens mulheres negras no debate sobre as desigualdades no mercado de trabalho e nas oportunidades de geração de renda. Desde 2020 o projeto vem realizando diversas ações que dialogam com parcerias da sociedade civil, setor privado e poder público a fim de elaborar e ampliar propostas no campo das políticas públicas, que combatam as desigualdades que afetam jovens mulheres negras na busca por oportunidades de trabalho e renda. O projeto é implementado por Ação Educativa, terre des hommes, e por AHK São Paulo.

Uma das principais características do projeto é articular a união de pessoas e organizações com o objetivo de dar visibilidade ao debate sobre juventude, gênero e raça no mundo do trabalho. Para isso,  são realizadas as “oficinas multiatores”, encontros onde se reúnem as articulações parceiras do projeto para um debate conjunto.

A primeira oficina, realizada no mês de junho, contou com a participação da rede Indique uma Preta, que apresentou a pesquisa “Potências (in)visíveis: a realidade da mulher negra no mercado de trabalho”, realizada em parceria com a Box1824.  Em sua fala, Amanda Abreu demonstrou que, apesar das mulheres negras constituírem a maior força de trabalho, há anos estão sujeitas às piores condições no mercado e seguem sub-representadas no mundo corporativo. Amanda cita o artigo “E a trabalhadora negra cumé que fica?” (1982) de Lélia Gonzalez, para reforçar que essa discussão está sendo pautada hoje, mas vem sendo pautada há muito tempo atrás: “Enquanto trabalhadora superexplorada de hoje, a mulher negra se sente no direito de perguntar: ‘Afinal, que abolição foi essa que, 94 anos depois dela ter acontecido, a gente continua praticamente na mesma situação?’ ”.

A apresentação de Amanda documenta essa sub-representação e exploração da mulher negra no mercado de trabalho, e deixa a seguinte questão: quais são os movimentos que trabalham para fazer um caminho contrário a essa realidade? Será que essa pauta deve ser defendida somente pelo ativismo das próprias mulheres negras? Em sua parte da apresentação, Verônica Dudiman contraria esse discurso, dizendo que este é um problema principalmente da branquitude, que deve se colocar no front dessa luta por transformação. Citando Mellody Hobson, Verônica afirma que está na hora das pessoas se sentirem confortáveis em se sentir desconfortáveis ao falar sobre questões de raça, pois só dessa maneira será possível sair do discurso e caminhar para a ação. 

Ao final da apresentação, Daniele Mattos destacou o papel das empresas nessa discussão: “Independente da categoria, porte ou metas de uma empresa, estes problemas não devem ser solucionados com velhas atitudes ou com ‘boa vontade’. É preciso conscientizar para transformar.” A apresentação foi sistematizada na facilitação gráfica abaixo, pela equipe do

Conheça a Indique Uma Preta e leia a pesquisa realizada em parceria com a Box1824, se aprofunde nos dados e se junte ao projeto MUDE com ELAS na busca pela erradicação das desigualdades relacionadas à mulheres negras. 

Ao final da atividade foi definida a data do encontro seguinte, realizado no dia 28 de julho. Considerando o contexto  apresentado no primeiro encontro, a segunda oficina teve um viés mais prático, identificando os desafios e estabelecendo propostas e temas gerais para incidir nas políticas públicas, partindo da perspectiva de interferir na definição do Plano Plurianual da prefeitura de São Paulo, no qual são definidas as principais linhas de ação e o orçamento municipal para os próximos quatro anos. 

Para trazer uma perspectiva sobre o tema de juventude e trabalho dentro das políticas públicas, Débora Dias, co-deputada da Mandata Quilombo Periférico, fez um levantamento dos programas já existentes que abordam juventude e emprego, e reforçou a importância de ampliá-los e fortalecê-los, para que eles não sofram com cortes ou sejam extintos. Débora também apresentou as regulamentações que impactam diretamente no orçamento: o Plano Diretor, o Programa de Metas, o Plano Plurianual (PPA) , a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA). Para cada regulamentação devem ser realizadas, ao menos, duas audiências públicas na Câmara Municipal.

Após a apresentação, as participantes levantaram propostas de políticas públicas para melhoria das condições de acesso a trabalho e renda de jovens mulheres negras, que foram documentadas pela coordenação do Mude com Elas. Durante a dinâmica, também foram definidas estratégias e uma agenda comum para incidir em rede sobre as políticas públicas. As proposições foram sistematizadas e servirão de guia para os debates que levarão às ações de incidência. O encontro foi finalizado com a leitura das propostas e com a exposição da facilitação gráfica desenvolvida por Taoly Dandara. 

Os próximos passos do projeto serão a realização de um webinário sobre políticas públicas de juventude, gênero, raça e trabalho com membros do poder público, militantes e pesquisadoras do tema. O encontro está previsto para agosto.

Caso queira saber mais sobre o projeto e participar de nossas ações, entre em contato: mudecomelas@acaoeducativa.org.br

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