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“Reconhecer é valorizar”

Nota de desagravo pela retirada do nome de Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva de lista de personalidades negras da Fundação Cultural Palmares

A atual presidência da Fundação Cultural Palmares anunciou na última quarta-feira, 02, a exclusão de uma série de nomes da lista de personalidades negras reconhecidas até então pela instituição por suas contribuições determinantes para a educação, música, esporte, entre outras fundamentais dimensões do campo político, social e cultural do país.

Entre esses nomes, está o da professora Dra. Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, que muito orgulha a Ação Educativa por compor nossa diretoria institucional. A nota de desagravo sobre este triste fato, escrita por Oswaldo de Camargo em nome da diretoria da Anped, é bastante enfática sobre a infelicidade de mais esta medida da Fundação Cultural Palmares.

Aproveitamos esta circunstância para reforçar o lugar que ocupamos no campo de direitos humanos e ao lado daqueles/as que constroem a luta popular, e destacar mais uma vez o trabalho de Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, que tanto já fez e ainda faz pela educação no Brasil. 

Primeira mulher negra a integrar o Conselho Nacional de Educação, a Professora Petronilha foi a relatora do parecer que ofereceu as diretrizes para a implementação da Lei Federal nº 10.639/03, que insere no currículo oficial do ensino básico a temática da História e Cultura Afro-Brasileira. Normativa primordial que dá passos importantes na democratização do acesso às contribuições da população negra para toda a comunidade escolar, ação imprescindível para o enfrentamento do racismo. 

Este é um processo que demandou décadas do ativismo do movimento negro e da luta antirracista e tem na figura da Professora Petronilha sua síntese, uma vez que além de possuir conhecimento técnico magistral e singular sobre a temática, é referência do campo de defesa e promoção de direitos humanos e enfrentamento ao racismo na educação. A lista de prêmios e indicações em seu currículo é consequência – e não causa – do respeito que conquistou.

Esta nota de desagravo trata de recuperar a noção de reconhecimento sintetizada no parecer CNE 003/2004, que aponta a direção para a qual deve caminhar uma sociedade que se pretenda democrática em suas relações étnico-raciais. Lendo-os, aprendemos com a Professora Petronilha que “reconhecer é também valorizar, divulgar e respeitar os processos históricos de resistência negra (…)”. 

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