No dia 25 de outubro, o Brasil volta às urnas para o segundo turno das eleições. Conhecer as propostas das candidaturas e participar da votação são passos importantes para uma escolha consciente sobre os rumos do país
No próximo dia 25 de outubro, milhões de brasileiras e brasileiros terão mais uma oportunidade de participar das decisões sobre o futuro do país. O segundo turno das eleições de 2026 definirá a Presidência da República e os governos estaduais onde a disputa ainda não foi concluída. Mais do que uma obrigação prevista na legislação, votar é exercer um direito conquistado ao longo de décadas de mobilização popular pela democracia.
A história do voto no Brasil é marcada pela luta de diferentes grupos sociais para participar das decisões políticas. Durante muito tempo, esse direito foi restrito a uma parcela da população. As mulheres conquistaram o direito ao voto em 1932, após décadas de reivindicações. Já as pessoas não alfabetizadas, excluídas do processo eleitoral desde 1881, só recuperaram esse direito em 1985.
Durante a ditadura militar, entre 1964 e 1985, a população brasileira também foi impedida de escolher diretamente o presidente da República. A mobilização pela redemocratização, que teve na campanha das Diretas Já um de seus principais marcos, contribuiu para a retomada dos direitos políticos. A Constituição Federal de 1988 consolidou o voto direto e secreto, com valor igual para todas as pessoas, e ampliou a participação eleitoral. Em 1989, após quase três décadas, a população voltou a escolher diretamente a Presidência da República.
Essas conquistas ajudam a compreender por que a participação nas eleições é tão importante. O voto permite que a população escolha quem terá a responsabilidade de conduzir políticas públicas que afetam diretamente a vida cotidiana. São decisões sobre o financiamento da educação, as condições de trabalho, o acesso à saúde e as medidas de enfrentamento às desigualdades sociais e raciais.
A democracia não se encerra nas urnas. Ela também depende da participação nos debates públicos, da organização coletiva e do acompanhamento das ações de quem foi eleito. Mas o momento eleitoral é uma oportunidade concreta de exercer o direito de escolha e participar da definição das prioridades do país.
O que os números das eleições revelam sobre a participação
O primeiro turno das eleições de 2026, realizado em 4 de outubro, registrou uma abstenção de 21,08% do eleitorado brasileiro. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aproximadamente 33,4 milhões de pessoas não compareceram às urnas. Em 2022, esse percentual havia sido de 20,95%.
Entre as pessoas que compareceram para votar, também houve quem optasse por não escolher nenhuma candidatura. Na votação para presidente da República, foram registrados cerca de 2,3 milhões de votos em branco (1,84%) e 3,67 milhões de votos nulos (2,93%), de acordo com os dados divulgados pelo TSE.
É importante compreender que a abstenção e os votos brancos ou nulos representam situações diferentes. A abstenção ocorre quando a pessoa não comparece à votação. Já o voto em branco ou nulo é registrado por quem participa, mas não escolhe uma candidatura válida. Pela legislação eleitoral, esses votos não são considerados no cálculo do resultado e não são transferidos para nenhuma candidatura. Mesmo que ultrapassem 50%, não provocam a anulação da eleição.
Os números chamam a atenção para os desafios da participação eleitoral no Brasil. A ausência nas urnas pode estar relacionada a dificuldades de deslocamento, compromissos de trabalho, problemas de saúde e também ao desinteresse ou à descrença na política. Por isso, ampliar a participação exige reconhecer as barreiras que ainda dificultam o exercício desse direito e fortalecer o acesso à informação.
Conhecer as propostas é parte do exercício do voto
Escolher uma candidatura não precisa se limitar às informações que circulam nas redes sociais ou aos discursos apresentados durante a campanha. Os programas de governo são documentos públicos que permitem conhecer os compromissos assumidos por quem disputa uma eleição.
O Tribunal Superior Eleitoral disponibiliza uma página com os planos de governo das candidaturas à Presidência da República no segundo turno de 2026. Além de baixar os documentos completos em PDF, é possível consultar as propostas organizadas por assunto, o que facilita a comparação entre os projetos apresentados.
Outra ferramenta importante é o DivulgaCandContas, sistema oficial da Justiça Eleitoral que reúne informações sobre as candidaturas. Para consultar os programas de governo, basta selecionar a região, o estado e o cargo desejado. Em seguida, é possível acessar o perfil da candidatura e localizar a seção “Propostas”.
A leitura desses materiais ajuda a identificar quais temas recebem maior atenção e como as candidaturas pretendem enfrentar os problemas do país. Na educação, por exemplo, é possível observar quem tem compromisso com o financiamento público, a valorização de professoras e professores e o enfrentamento das desigualdades. O mesmo exercício pode ser feito em relação ao trabalho, à cultura, à segurança alimentar e às políticas voltadas à juventude.
Além de conhecer as promessas, vale observar a trajetória política das candidaturas e comparar suas propostas com as ações que já realizaram. Buscar informações em veículos jornalísticos confiáveis e conferir a origem dos conteúdos compartilhados também é fundamental para evitar que informações falsas interfiram na decisão.
Para a Ação Educativa, a defesa da democracia passa pelo reconhecimento da população como sujeito ativo na construção das políticas públicas. A participação eleitoral faz parte desse compromisso e deve estar acompanhada do direito à informação e de condições para que todas as pessoas possam exercer sua cidadania.
No dia 25 de outubro, o eleitorado brasileiro terá uma nova oportunidade de participar da escolha de seus representantes. Conhecer os projetos em disputa e comparecer às urnas são formas de exercer esse direito e contribuir para a definição das políticas que orientarão o país nos próximos anos.
O que você precisa para votar
O segundo turno das eleições acontece no domingo, 25 de outubro de 2026, das 8h às 17h, pelo horário de Brasília. Quem estiver na fila até o encerramento da votação poderá votar.
Em todo o país haverá votação para presidente da República. Dependendo da localidade, também poderá haver eleição para governador, eleição suplementar para prefeito ou consulta por plebiscito.
Não votei no primeiro turno. Posso votar no segundo?
Sim! Quem não compareceu às urnas no dia 4 de outubro poderá votar normalmente no segundo turno, desde que esteja com o título eleitoral regular. Cada turno é considerado uma eleição independente pela Justiça Eleitoral.
Como consultar o local de votação?
A consulta pode ser feita pelo aplicativo e-Título ou pelo site oficial do TSE. É importante verificar o endereço e a seção eleitoral antes de sair de casa.
Quais documentos levar?
É necessário apresentar um documento oficial com foto, como RG, CNH ou passaporte. O e-Título também pode ser utilizado como documento de identificação quando apresentar fotografia. Caso não tenha foto, é preciso levar outro documento oficial com foto.
Posso levar o número das candidaturas anotado?
Sim. A Justiça Eleitoral permite levar uma anotação em papel com os números das candidaturas escolhidas. O uso de celular e de outros equipamentos eletrônicos é proibido dentro da cabine de votação.
Fontes: Tribunal Superior Eleitoral (TSE), resultados das eleições de 2026, Constituição Federal de 1988 e Agência Brasil, com base em dados oficiais da Justiça Eleitoral.