MUDE com elas

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O projeto MUDE com elas (Multiatores superando a desigualdade de gênero e raça) tem como objetivo a construção de um diálogo transformador para o enfrentamento das desigualdades de gênero, origem socioeconômica e raça no mundo do trabalho.

A iniciativa é coordenada e implementada pela Ação Educativa, Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha e do escritório de São Paulo de terre des hommes Alemanha, responsável geral pelo projeto. Conta com apoio financeiro do Ministério para Cooperação e Desenvolvimento da Alemanha e duração prevista de três anos.

A desigualdade está no cerne da inserção no mundo do trabalho: de forma geral, jovens têm sua entrada marcada pelo desemprego (duas a três vezes maior que o verificado entre adultos), pela baixa remuneração e por vínculos de trabalho mais precários e desprotegidos, além das crescentes exigências de formação e de atributos subjetivos (como a capacidade de trabalhar sob pressão). Um olhar mais atento mostra ainda as desigualdades entre a juventude, com disparidades de classe social, gênero e raça que fazem com que as jovens mulheres negras sofram com os piores indicadores relativos a trabalho. São jovens que têm de lidar com a sobrecarga do trabalho doméstico atribuído às mulheres e com o racismo presente (ainda que de forma velada) em muitos processos seletivos.

Se em momentos de estabilidade econômica as famílias podem adiar a entrada no mercado de trabalho de seus jovens, em situações de crise a pressão por trabalho remunerado aumenta. Porém, cabe entender a busca por trabalho como parte da construção da autonomia e independência pela juventude. Assim, é necessário criar estratégias que garantam direitos nessa inserção, considerando suas especificidades. Um esforço nesse sentido foi feito na construção da Agenda Nacional do Trabalho Decente para a Juventude, elaborada em 2011 por um comitê do governo federal, com apoio técnico da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A Agenda propõe como prioridades: mais e melhor educação; conciliação dos estudos, trabalho e vida familiar; inserção ativa e digna no mundo do trabalho, com igualdade de oportunidades e de tratamento; e diálogo social.

Tendo em vista este cenário, o projeto se estrutura em duas frentes:

    • 1) Incidência, com a criação de uma parceria multiatores, envolvendo a sociedade civil, poder público e setor privado. Nesse âmbito, prevemos as seguintes atividades:

– a elaboração e divulgação de três estudos com informações sobre políticas públicas, dados demográficos, boas práticas e percepções de jovens mulheres sobre os desafios que enfrentam no mundo do trabalho e oportunidades;
– consolidação de uma parceria multiatores, a partir do mapeamento de atores estratégicos, por meio da realização de encontros de sensibilização e mobilização;
– a formação de oito jovens multiplicadoras que disseminarão o debate sobre mundo do trabalho entre jovens e contribuirão para ações de incidência.

2) Elaboração de uma iniciativa piloto de inserção de jovens mulheres, prevendo:

– formação técnica e cidadã para jovens mulheres em parceria com empresas alemãs;
– sensibilização de colaboradores de empresas alemãs;