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uma Carta de Petronilha Silva sobre a razão de ser do #JulhodasPretas

“NOSSOS PASSOS VÊM DE LONGE”

Há quem se pergunte qual o motivo de se celebrar um dia especial para as Mulheres Negras, uma vez que já se celebram, a cada mês de março, todas as mulheres, independentemente de seu pertencimento étnico-racial. Estariam as Negras buscando privilégios? Claro que não! Organizamo-nos, em julho, a fim de lembrar e celebrar as lutas de Tereza de Benguela, a força e resistência das negras latino-americanas, no sentido de fazer conhecida e reconhecida a nossa história de descendentes de africanas que foram escravizadas, isto é, feridas em sua humanidade, e que souberam não só reconstruir-se, como garantiram a existência de um novo povo Africano, os Afro-Brasileiros.

Ensinaram elas que nós, suas descendentes, para mantermos nossa humanidade, precisávamos escolher e seguir caminhos sem depender de outras pessoas, tínhamos de buscar formas consistentes, soberanas e autônomas de viver. Precisávamos construir a vida, na medida do possível, com leveza e alegria, a fim de sustentar esforços e superar as dificuldades, mesmo quando não encontrássemos apoio para nossas lutas.

A vida das Mulheres Negras é edificada com esforços para superação de preconceitos e do racismo, por cooperação com todas as pessoas empenhadas em superar desigualdades, a fim de construir uma sociedade, uma nação onde todas as pessoas sejam acolhidas e valorizadas no seu modo próprio de ser. Celebrar, pois, o Dias das Mulheres Negras, Afro-Latino Americanas, implica promover e valorizar as distintas maneiras de ser Pessoa Negra, Cidadã, Mulher Afro-descendente – livre para edificar seus modos próprios de ser, pensar, construir a vida, em colaboração com companheiras de grupos étnico-raciais distintos do seu, com os companheiros negros, com pessoas aliadas em suas lutas, integrantes de distintos grupos étnico-raciais.

Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva

Esta carta, especial para a nossa programação do #JulhoDasPretas, integra série de correspondências iniciada por Denise Eloy, responsável pelo nosso Centro de Formação. Uma carta de amor com a indagação singela: o que é educação popular?

Esta carta já foi respondida por:
Sérgio Haddad, nosso coordenador de projetos especiais;
Giselda Pereira, educadora do projeto Mude com Elas;
Edneia Gonçalves, da nossa coordenação executiva;
João Innecco, coordenador do cursinho TransFormação;
Magi Freitas, coordenadora geral da Ação;
Tati Fortes, arte educadora no Projeto Arte na Casa; e
Marcelo Rocha e Lucas Quinttino, arte-educadores do projeto Arte e Cultura na Medida;

Continue acompanhando as nossas cartas, e, se sentir vontade, não deixe de mandar a sua pra nós!

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