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Boletim Em Ação 2021 #01

Desde o começo deste ano, a Ação Educativa tem articulado a produção de conteúdos e eventos nas áreas de educação, cultura e juventude como parte da programação do Centro de Eventos. Assim, acompanhando os debates que emergem do centro às periferias, compartilhamos histórias e ecoamos vozes femininas, pretas, LGBTQIA+ que resistem na cidade.

Este aqui é na prática o exercício de revisar o passado para perceber nossa potência para continuar avançando, fundando novos futuros sobre o terreno de possibilidades que os recomeços cotidianos oferecem. E é com os olhos ansiosos por tempos melhores e mais justos que seguimos em setembro, com o segundo episódio da série #FUTURE-SE:

Confira abaixo nossos destaques dos últimos meses:

Agosto

Em Agosto, a mostra Estéticas das Periferias L.A.B. invadiu a programação dos eventos #PegaAVisão e o #BaileEmCasa, exibindo debates e vídeos que documentam a pluralidade cultural de cada quebrada de São Paulo. São mais de 10 horas de programação, que pode ser acompanhada no nosso YouTube:

Os debates do #PegaAVisão e as apresentações culturais do #BaileEmCasa integram um conjunto mensal de atividades que vem acontecendo desde março, pensadas no contexto da pandemia para seguir fortalecendo atores culturais importantes que antes ocupavam nosso predinho.

Os vídeos da mostra de agosto provam que a produção artística periférica continua forte apesar da pandemia e dão uma prévia do que vem por aí no Estéticas das Periferias 2021. O site novo do encontro, que acontece em outubro, já está no ar: esteticasdasperiferias.org.br/2021/

Ainda em agosto, a Ação Educativa atuou na Frente pelo Direito das Juventudes ao Trabalho Decente, em parceria com a Rede de Advocacy Colaborativo (RAC), contra a Medida Provisória nº 1045/2021, que instituía o Novo Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, com medidas complementares com efeitos gravíssimos às juventudes – o Priore (Programa Primeira Oportunidade e Reinserção no Emprego) e o Requip (Regime Especial de Trabalho Incentivado, Qualificação e Inclusão Produtiva).

Para Gabriel Di Pierro, coordenador da área de Juventude da Ação Educativa, a derrubada da Medida Provisória nº 1045 impediu que os custos da crise econômica e política fossem empurrados para a população jovem. “Certamente precisamos de políticas de acesso a trabalho para jovens. No entanto, a proposta do governo partia da falsa ideia de que a retirada de direitos com a finalidade de reduzir custos de contratação poderia resolver o problema do desemprego juvenil. Os estudos mostram que esse tipo de medida é ineficiente e leva a uma maior precarização das condições de trabalho. O que precisamos é resgatar um compromisso social com o trabalho decente de jovens, que é um direito previsto no Estatuto da Juventude, mas que vem sendo negligenciado.”

Com a redação de notas assinadas por mais de 500 pessoas, entre integrantes do Poder Legislativo, pesquisadoras e pesquisadores, e representantes de organizações da sociedade civil, pressão nas redes sociais e até um projetaço no centro de São Paulo, a articulação conseguiu chamar atenção para a pauta, que foi rejeitada no Senado Federal.

Julho

A programação especial do #JulhoDasPretas reforça o compromisso público da Ação Educativa com o enfrentamento ao racismo e ao sexismo em nossa sociedade, por meio da campanha FUTURE-SE. As iniciativas institucionais desenvolvidas foram inspiradas nas reflexões de intelectuais afrofuturistas, que partem da ficção científica para narrar uma reinvenção do presente, recuperando histórias negras invisibilizadas para encontrar referências para novas visões do amanhã.

O pontapé das ações foi uma série de publicações que apresentaram as jovens negras participantes do projeto Mude com Elas, nela foram descritos seus sonhos e suas potências na construção de um novo futuro, este também foi o mote da websérie com o mesmo nome da campanha, que trouxe em seu primeiro episódio Alexia Antuona. Jovem ativista que também participou do #PegaAVisão sobre Desafios de Mulheres Negras no Mundo do Trabalho – o encontro que também contou com a participação de Beatriz Almeida, do Empregue Afro, foi seguido por um incrível show da cantora Tássia Reis no #BaileEmCasa.

Em parceria com o Centro de Formação e o Coletivo Mulheres Negras na Biblioteca, o mês teve como um de seus marcos uma roda de conversa sobre a obra “Cartas para Minha Mãe”, de Teresa Cárdenas. A imersão na produção literária da autora cubana – referência na literatura latina para crianças e jovens, reconhecida pelo Prêmio Casa de las Américas em 2005 – foi conduzida pela pesquisadora Lívia Natália.

Tereza Cárdenas esteve presente por meio de trocas com os/as inscritos/as na atividade, que enviaram suas perguntas e puderam dialogar com a autora por meio de seus vídeos de resposta.
No dia 25 de julho, que é o Dia Internacional da Mulher Negra Latinoamericana e Caribenha, os/as nossos/as seguidores/as receberam uma carta escrita pela nossa diretora Petronilha Gonçalves, ícone da luta pelo direito humano à educação no Brasil.

Julho não podia passar sem uma reflexão sobre tecnologia, o debate Mulheres Negras e Internet, feito na companhia da Conexão Malunga e do Coletivo Mulheres Negras Decidem, nos provocou a refletir sobre cuidados e direitos digitais.

Em sintonia com a conjuntura, o Coletivo 660 contribuiu com a nossa grande roda antirracista e antisexista trazendo importantes nomes que nos suscitaram – em tempos de pandemia – a aproximar as reflexões do mês com um tema que tem nos impactado diariamente: desigualdades, saúde e justiça global.

Para encerrar esta extensa programação, tendo o afrofuturismo como mote, convidamos nossa #ArtistaDoMês Mayara Amaral, residente da zona leste de São Paulo, que retrata em suas obras a sexualidade, feminilidade e a multiplicidade de corpos de mulheres negras, a produzir uma obra inédita para o acervo da Ação Educativa. A obra inaugura a nossa Galeria de Exposição Virtual, com o intuito de apoiar e disseminar a produção artística periférica, assim como fazíamos em nosso predinho – e que voltaremos a fazer, assim que todos/as estivermos com a vacina no braço.

Junho

Entre a subsistência e o sonho: a profissão de arte-educador é uma alternativa a artistas periféricos? Para nos ajudar a responder esta pergunta convidamos Rubia RPW e Renato Souza que muito já construíram neste universo e puderam tratar desta profissão que subsidia as contas e os sonhos de muitos artistas.

No #Pegavisão, o papo foi sobre experiências educativas com adolescentes em privação de liberdade, em nossa roda estiveram os arte-educadores e artistas: Chai, MC no grupo Odisséia das Flores, Danilo Skrap, MC no ChánogeloCrew e Soraya Machado, dançarina intérprete e coreógrafa. Na sequência rolou o #BaileEmCasa com a apresentação especial do arte-educador e musicista Jhony Guima, com voz, violão.

Nas cartas do mês, Marcelo Rocha e Lucas Quinttino deixam evidente em suas correspondências que a relação entre educadores e educandos perdura para além das trocas de técnicas artísticas. Ex-educando do projeto Arte e Cultura na Medida, Lucas se tornou formador e partilhou seus acúmulos sobre fotografia, com outros jovens, no encontro “Identidade e Território”, realizado em parceria com o Instituto Moreira Sales. Abaixo, conferimos a sua primeira produção, além de fotos dos participantes da oficina.

Confira no vídeo um pouco mais sobre a iniciativa Identidade e Território:

Quem também compartilhou aprendizados como arte-educador foi André Firmiano, nosso #ArtistaDoMês. Das formações para as telas, Firmiano conta como sua trajetória enquanto arte-educador o inspira no seu processo criativo.

Outra novidade de junho foi o lançamento do podcast da Ação Educativa, que conta com episódios de alguns de nossos projetos como o Tô no Rumo, as ações do Coletivo 660 e da iniciativa De olho nos Planos! Vale a pena conferir nas principais plataformas de áudio/streaming.

Maio

Em maio, a Ação Educativa completou 27 anos de atuação no campo de defesa de direitos humanos, sobretudo nas agendas de Cultura, Juventude e Educação. Como parte desse ciclo comemorativo, convidamos educadores/as institucionais e parceiros, de diferentes gerações e áreas de conhecimento a partilharem entre si e conosco, suas trajetórias, experiências, desafios e possibilidades por meio de uma troca de cartas sobre educação popular.

A troca de cartas se apresenta como possibilidade de estreitar laços e conversar intimamente, em um momento em que a distância física se impõe e vem sendo mediada quase que absolutamente por meio da frieza das inúmeras telas.
Quem abriu essas trocas foi Denise Eloy, assessora do Centro de Formação, que inspirada pelo centenário de Paulo Freire, nos indagou sobre: “O que é educação popular para você?”. Sérgio Haddad, um dos nossos fundadores, endereçou sua carta a recém chegada Giselda Perê, educadora do projeto Mude Com Elas. Na semana seguinte, Edneia Gonçalves, nossa coordenadora executiva, partilhou conosco o primeiro dos muitos encontros com João Inecco, que integra a coordenação pedagógica do Cursinho Transformação – projeto pedagógico que atende cerca de 30 pessoas trans e não binárias no nosso predinho. No período da pandemia, tais estudantes receberam cestas como apoio, custeadas pela Ação Educativa e pelo Instituto Galo da Manhã.
Por fim, Magi Freitas, coordenadora geral da Ação Educativa, abordou sua atuação especialmente no campo da Juventude. Nada mais oportuno que encaminhar sua correspondência à Tati Botelho, rapper e por muitos anos, educadora do Projeto Arte na Casa, iniciativa que promove oficinas artísticas nos centros da Fundação Casa.

As interações das cartas foram ilustradas pela nossa #ArtistaDoMês Ariane Oliveira, artista multidisciplinar, moradora da Fazenda da Juta, que integrou um de nossos projetos, o #JuventudesNasCidades, como representante do coletivo Pretateliê.

Ainda em contexto de celebrações, o #PegaAVisão retoma os anos de produção da Agenda Cultural das Periferias, e convida a Elizandra Souza, Cacau Ras com a mediação de Eleílson Leite a debater a Difusão Cultural Nas Quebradas. Ocasião de lançamento da pré estréia da Websérie do Dia do Grafitti, gravada em parceria com a Zalika Produções, que conta com a participação de nomes como: Celso Gitahy, Deusira Cresmasci, Eleílson Leite, André Firmiano, Thiago Consp e Bruma e coletivos como Tamo Junto (ZN), Salve Selva (ZS), Salve Kebrada (ZO), Arte e Cultura na Kebrada (ZL). Para apagar as velinhas, o #BaileEmCasa contou com a participação especial do rapper Criolo.

Abril

No mês de abril, voltamos nossas atenções à literatura periférica e seu papel na democratização do acesso à leitura, com o #PegaAVisão “Livro não é privilégio!”, que contou com a participação da atriz e slammer Jessica Marcele, da poetisa Jaque Alves e do escritor Mano Réu, fundador da Editora Kitembo.

Em seguida, o #BaileEmCasa se transformou no sarau “Querem nos calar”, conduzido pela slammer e poetisa Mel Duarte, que convidou a também poetisa e produtora cultural Nega Fya, criadora do Slam das Mina Bahia e a rapper carioca Carol Dall Farra.

O #ArtistaDoMês foi Preto Téo, cuja criatividade transita entre seus livros, zines, batalhas de slam e performances cênicas. Assinando ainda como Teodoro Albuquerque, sua estreia impressa dividiu as páginas do livro “Antologia Trans” com outres 30 poetas trans, travestis e não-bináries, como Naná DeLucca e Patrícia Borges. Lançado em 2017, o livro teve exemplares vendidos para ajudar a financiar o Cursinho Popular TransFormação, voltado para para pessoas transgêneros, travestis e não-bináries em São Paulo.

Março

Em março, voltamos a colorir muros e telas para celebrar o 16º Dia do Graffiti! Como a pandemia impedia a tradicional pintura da fachada do nosso predinho, convidamos cinco coletivos para pintar obras cada um em sua quebrada. Também marcando a data, tivemos a lançamento do canal do Estéticas das Periferias na TwitchTV com dois programas: a primeira mesa do #PegaAVisão, que discutiu arte urbana, pandemia e criminalização; e a estreia do #BaileEmCasa, com discotecagem da Dj Sophia.

Iniciamos as nossas homenagens na seção #ArtistaDoMês, com o artista plástico Robinho Santana que falou sobre o início de sua carreira, a dimensão política de suas obras e a sua relação com a Ação Educativa, local em que fez sua primeira exposição individual.

Como parte das suas ações de Enfrentamento ao Racismo Institucional, a Ação Educativa iniciou 2021 com o lançamento do site Relações Raciais e da Cartilha de Combate ao Racismo Institucional, produzida pelo Grupo de Referência de Enfrentamento e Prevenção ao Racismo Institucional (GREPRI) em parceria com a Abong.

Reunimos aqui parte da programação dos seis meses mais recentes de uma caminhada que vem de muito longe, e que teve a felicidade de contar com sua companhia e apoio para manter seu curso. Inevitavelmente, alguns projetos e eventos escapam a este breve registro, que buscou se concentrar nas atividades mais diretamente ligadas à temática de cada mês. Mas não se esqueça, para ter acesso a tudo o que rolou, ative nossas notificações nas redes sociais ou cadastre-se para receber o boletim Em Ação, e fique por dentro de tudo que está por vir.

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